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07/08/2006
QUEM TEM CULPA NO
CARTÓRIO?
É a minha
companheira inseparável
Sua fidelidade é incomparável
E me perdoa por não ter razão
A minha culpa de estimação
Culpa de Estimação
Cazuza / Roberto Frejat
A culpa é um sentimento que causa o ódio de si mesmo e
com isso a autopunição e o desequilíbrio emocional. Isso
acontece porque geralmente nasce de uma exigência, de
algo que não queremos fazer e que pode nos levar a
submissão. A culpa talvez seja o método mais eficaz de
fazer com que uma pessoa se submeta aos caprichos ou
desejos de outra.
O sentimento de culpa ganhou requintes familiares e
muitos pais usam desse sentimento para conduzir seus
filhos, educando-os através da chantagem emocional, ou
do "... se confessar que teve culpa eu perdôo-o".
Antigamente era comum, ou talvez ainda aconteça seja nos
dias atuais, o pai ou a mãe, quando não tinham um
resultado louvável segundo seus desejos, costumavam
fazer imposições aos filhos fazendo uso de técnicas
culpáveis do tipo: "Deus castiga...", "isso é
pecado...", "eu vou morrer de tanto desgosto...", "você
quer me matar..." ou ainda punindo com ameaças de falta
de amor ou proteção e até mesmo a ameaça de uma
exposição pública. Isso só ajuda a produzir uma confusão
de
idéias e lógica de raciocínio por meio do mal estar
emocional.
A culpa é um sentimento que não nasce dentro de nós,
precisa ser implantado por outra pessoa e em seguida ser
assimilada, quanto mais sugestionável ou ingênua for a
outra pessoa, maior será a sua autodestruição. Na medida
em que a culpa vai sendo cultivada, cria-se maior
dependência ao locutor, aumentando o desconforto
interior e, com isso, maior submissão.
Quando não fazemos algo que gostaríamos de ter feito ou
que poderíamos ter feito, sentimos um pequeno
desapontamento que subitamente se vai, a isso chamamos
de remorso. Aí está a diferença entre culpa e remorso, o
remorso é um sentimento que nasce dentro da gente,
enquanto a culpa vem de quando nos é exigido algo que
não temos vontade, que não temos capacidade ou vocação
para fazer. Pela falsa compreensão que temos, exigimos
isso de nós mesmos: em forma avaliação e,
conseqüentemente, de condenação, resultando em culpa de
não termos conseguido. A culpa nada mais é que o desejo
que os outros tem em dominar a outra pessoa.
Cultivar esse sentimento é aceitar essa dominação, é
responsabilizar-se pelos remorsos dos outros, pelas
incompetências dos outros, pelas frustrações dos outros.
Cada um de nós tem o seu próprio ideal, seu limite, seus
recursos e a sua vocação. Para nos livrarmos da culpa
basta fazermos apenas o que nos é correto, seguindo
nossa consciência, fazer o que não cause danos a nós
mesmos ou aos outros. Parar de fazer o que anula nosso
livre arbítrio, fazer apenas o que está dentro da nossa
capacidade de fazer ou aceitar, dentro das nossas
limitações e recursos, sem termos que agradar o outro o
tempo todo. Podemos dizer que o afeto dos outros é a
forma de interação social mais desejada. Buscamos esse
afeto agradando ao outro, fazendo o que o outro gosta,
sendo bem-sucedido, cuidando da aparência e, sobretudo,
não procurando desagradar ninguém que nos seja
importante.
Nós podemos apenas colaborar com os outros conforme a
nossa vontade ou afinidade. Agora, submeter-se à vontade
do outro só para ser aceito, para agradar, é renunciar
ao nosso direito, é comprometer nossa auto-estima.
Culpa advém das regras do grupo em que se vive e se
valoriza. Se não valorizássemos as outras pessoas de
nossas relações, não sentiríamos culpa quando fizéssemos
coisas que as levariam a sofrer, seríamos indiferentes.
O problema maior da culpa é a imposição de sanções AO
INDIVÍDUO e não ao comportamento específico que produz
alguma conseqüência aversiva para os outros e para si.
Devemos aproveitar cada momento de nossa vida para
melhorar nossas atitudes sem medo de que alguém nos
culpe, sem medo ser sermos com isso egoístas, mas sim
porque nos leva a nossa prosperidade e a nossa evolução.
Quando sentimos culpa, estamos em guerra conosco
próprios. Violamos algum dos padrões de comportamento
muito nossos. Sendo assim, será a melhor altura para
passarmos em revista os nossos padrões de pensamento e
comportamento, pedir desculpa, fazer compensações e
concessões, aprender com a experiência e aprender a
desculparmo-nos. Esse também é um grande aprendizado.
A aprendizagem faz-se com erros. Por isso, devemos
interiorizar a idéia de que pelo fato de termos cometido
um erro, isso não significa de todo que sejamos um erro.
A vida nos pede apenas que façamos nossa parte, nossa
função, nossa obrigação... Não cabe a nós viver ou
resolver a vida dos outros, podemos apenas orientar,
ensinar, ajudar, mas nunca conduzir os outros ou deixar
ser conduzido.
(*) Katia Horpaczky
Psicóloga Clínica
CRP 06-41.454-3
Tel: 11 5573-6979
Vivacomqualidade@hotmail.com |
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