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27/08/2006
O passado deve ficar no
passado? (Por Kátia Horpaczky)
"E se procurarem saber porque é que todas as imaginações
humanas, frescas ou murchas, tristes ou alegres, se
voltam para o passado, curiosas de nele penetrarem,
acharão sem dúvida que o passado é o nosso único passeio
e o único lugar onde possamos escapar dos nossos
aborrecimentos quotidianos, das nossas misérias, de nós
mesmos"
Anatole France, in 'A Vida em Flor'
Por que temos a tendência de querer remexer no passado,
reviver situações, pessoas, lugares?
O que buscamos com isso?
Será que estamos insatisfeitos com o nosso hoje, temos
pendências a resolver e, por isso, ficamos tentados a
remexer no baú de nossas emoções?
Acreditamos realmente que podemos reescrever nossa
história no passado para melhorarmos o nosso hoje?
Será essa uma tentativa válida? Como isso afeta as
pessoas que fazem parte da nossa vida hoje?
Pensei nisso quando soube, recentemente, de um
relacionamento que acabou porque uma das partes
reencontrou um amor do passado. Na verdade, uma história
de amor que não aconteceu no passado, o famoso "era para
ter sido e não foi".
Como será reatar antigos relacionamentos, trazer pessoas
que um dia fizeram parte da nossa vida e inseri-las em
nossa vida atual?
Tentar reviver o passado é, muitas vezes, uma profunda
insatisfação com nossa vida atual. Por isso, passamos a
colocar no passado toda a nossa felicidade. O amigo, o
amor, o comportamento e por aí vai.
Quando olhamos para o passado e só vemos coisas boas,
queremos toda essa sensação no presente que pode não
estar bom. Queremos agora aquela sensação boa que
tivemos quando ouvíamos aquela música, quando tínhamos
aquele relacionamento. Mas, será que o passado foi tão
bom assim? Será que ele foi perfeito? Sabemos que não
existe perfeição.
Quando buscamos trazer para o presente o que está no
passado ou quando passamos a achar que bom "era naquela
época", é preciso ficar atento ao presente. O que está
nos deixando insatisfeitos agora que faz com que
queiramos trazer o passado de volta para nossas vidas?
Muitos conhecem histórias de amores da juventude que se
reencontram muito tempo depois e os envolvidos decidem
revivê-la para fazer com que ela dê certo agora. Boa
parte das vezes dá errado. São inúmeras as histórias de
casais que tentam retomar no presente histórias que
aconteceram no passado. E, para isso, em nome de
sensações e sentimentos que ficaram lá atrás provocam no
presente separação, desconfiança e dor.
É natural lembrar do passado. Afinal, todas as nossas
experiências é que ajudaram a formar quem somos no
presente e isso não pode ser desprezado.
É preciso estar atento apenas sobre que tipo de relação
temos com nosso passado.
Querer retomar experiências anteriores como se fosse a
solução dos problemas atuais pode ser um erro.
Pense nisso.
(*) Katia Horpaczky é Psicóloga Clinica e
Organizacional, Psicoterapeuta Sexual, Familia e Casal,
Especialista em Workshops Vivenciais e Jogos
Organizacionais, Arte-Terapeuta, Practitioner em N.L.P.
pelo Southern Institute of N.L.P. e pela Society of
Neuro Linguistic Programming. Treinada com a metodologia
de OUT DOOR TRAINING pela Dinsmore.
e-mail:
katia@rodadavida.com.br
Tel: (11) 5573-6979
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