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09/10/2006
Família e HIV-AIDS,
derrubando a discriminação
Desde a sua identificação em 1984, o vírus causador da
AIDS “Síndrome de Imunodeficiência Adquirida” vem sendo
estudado e combatido com firmeza pela ciência. Na
atualidade o portador do vírus HIV “Vírus da
Imunodeficiência Humana”, encontra na terapia
anti-retroviral um aliado, que se por um lado não
consegue eliminar o vírus do organismo, coloca o
soropositivo “pessoa que vive com o vírus HIV” na
situação de portador de uma enfermidade crônica
tratável.
Infelizmente, mesmo com os avanços obtidos no tratamento
e com os meios de contágios identificados, a sociedade
continua a evitar o soropositivo como se o mero contato
social fosse capaz de transmitir o vírus, o que
infelizmente coloca a pessoa portadora do HIV frente a
dois desafios: um seria manter o seu estado de saúde e
por outro lado lutar contra o preconceito e a
discriminação da sociedade que ainda confunde a evitação
do vírus com a evitação do portador do vírus, como se
pessoa e vírus fossem a mesma coisa, fundidos em um só
estado de existência e identidade.
Devido ao choque que pode causar o diagnostico positivo
para o HIV dentro da família, algumas pessoas escondem
seu estado de saúde, na maioria dos casos por medo a uma
reação negativa por parte dos familiares. Por outro lado
o apoio da família afeta de maneira positiva a
auto-estima, a autoconfiança e a auto-imagem do
soropositivo e trás benefícios ao tratamento,
fortalecendo o sujeito e o preparando para dar
continuidade a sua vida, já que ser portador do HIV não
é motivo para aposentadorias, trancamento de matriculas
de estudo, abandono de atividades sociais, entre outros.
A aceitação do sujeito e a troca de informações dentro
da família geram um apoio emocional que fomenta a adesão
ao tratamento e diminui o nível de estresse, que tem
influencia direta na ação do sistema nervoso central,
que é responsável pela ativação das defesas do organismo
e, sobretudo possibilitam a expressão de emoções e
sentimentos que são comuns às pessoas de diagnóstico
positivo para o HIV, tais como, a depressão, a culpa, a
raiva a negação. A família surge então como um espaço de
proteção e contenção, tanto físico como emocional.
A família bem informada sabe que o vírus HIV não se
transmite no contato social, ou seja, através de ações
comuns do dia a dia. Se você convive com uma pessoa
soropositiva, saiba que o vírus não se transmite através
do uso de copos, talhares, pratos ou outros objetos que
se utilizam para a alimentação. A utilização do mesmo
vaso sanitário, chuveiros, bancos, cadeiras não coloca
os familiares em contato com o vírus. Beijo, abraço,
suor, lagrimas, tosse, espirro intercambio de roupa não
se meios de contagio. A demais é fundamental que os
familiares se informem sobre as características do HIV,
do aceso gratuito aos exames e tratamento no sistema
publico de saúde, assim como de seus efeitos colaterais
dos medicamentos.
Se você tem um portador do HIV na sua família, ame-o,
respeite-o, o que mudou nele foi a sorologia, um aspecto
do seu sistema imunológico, não seu caráter, sua
identidade ou sua forma de amar os seus familiares. Não
deixe que o preconceito e a discriminação falem mais
alto que o amor e a amizade, as doenças são parte da
vida, assim como a alegria e a saúde, e lembre-se existe
tanta dignidade na saúde como na doença. A doença não é
a representante do lado escuro da vida, é um aspecto
dela, nem mais nem menos que isto.
Paulo Bonança, Psicólogo C.R.P 05- 30190.
Diplomado em Sexualidade Humana pela Universidade Diego
Portales- Chile- Membro da Sociedade Brasileira de
estudos Sexualidade Humana SBRASH
Autor da Tese “A AIDS entre os homossexuais; A confissão
da soropositividade ao interior da família”.
Telefone (21)2236-3899 – 9783-9766
Paulopsi2000@yahoo.com.br
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