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16/10/2006
CRIANÇAS À BEIRA DE UM
ATAQUE DE NERVOS
Os distúrbios da Ansiedade estão entre as principais
causas de consultas médicas em todo o Mundo. (Enquanto
você lia esta primeira frase, mais de 8 pessoas foram
atendidas com queixas relacionadas à angústia, tristeza,
nervosismo, irritação e similares).
Infelizmente, os Distúrbios da Ansiedade não são um
problema exclusivo do universo adulto: eles afetam 13 de
cada 100 crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos de
idade. As meninas são mais acometidas que os meninos e,
em metade dos casos, as crianças apresentam Ansiedade
associada a Depressão.
A Ansiedade é um sentimento natural tanto na infância
como em qualquer outra etapa da vida. Crianças de 8
meses de idade podem apresentar sintomas de ansiedade
sempre que se separam dos pais. Isto é normal. Entre os
6-8 anos de idade, a ansiedade se volta para o
desempenho escolar e o relacionamento com os coleguinhas.
Crises de ansiedade também podem ocorrer quando a
criança passa por mudanças significativas como troca de
escola ou de casa, falecimento de entes queridos,
chegada de novos irmãozinhos, separação dos pais e etc.
O limite da normalidade do nível de Ansiedade está na
sua repercussão sobre o comportamento. E vamos ser
sinceros: você não precisa ser um especialista para
perceber que algo não vai bem. Crianças não devem ser
excessivamente preocupadas ou apreensivas com o futuro.
Não é típico de uma criança apresentar freqüentemente
dores de cabeça, náuseas, vômitos, falta de ar,
diarréia, palpitações, dificuldade de concentração,
agressividade ou medos em excesso. Se isto está
acontecendo – e parece estar associado a situações
específicas -, é bem possível que a criança esteja
sofrendo de algum Distúrbio da Ansiedade, justificando
uma avaliação médica.
A Ansiedade Infantil pode ser causada por problemas
psicológicos, alterações nos transmissores químicos
cerebrais, doenças na tireóide, infecções e até mesmo
fatores genéticos (estudos mostraram que 50% dos
pacientes com Síndrome do Pânico possuem pelo menos um
parente portador de Distúrbios da Ansiedade). O
diagnóstico quase sempre é simples, e o tratamento
envolve acompanhamento psicológico e uso de certos
fitoterápicos. Os medicamentos controlados devem ser
considerados a última opção.
Em todos os casos, o papel dos pais e cuidadores é
essencial para o sucesso do tratamento. Veja a seguir o
que você pode fazer para reduzir as crises de ansiedade
na infância:
SEJA UMA PORTA ABERTA.
Não julgue: ajude. Crianças excessivamente ansiosas
precisam de apoio e expectativas positivas, mas só irão
procurar sua ajuda se tiverem certeza de que não serão
hostilizadas ou ridicularizadas. Cobre disciplina na
mesma medida em que você demonstra seu afeto, e
certifique-se de que sua disciplina está sendo passada
em um formato motivador.
Por exemplo: amedrontada, a criança se recusa a ir para
a nova escola.
Marque a alternativa correta:
a) “Vamos lá, será divertido, você consegue, irá fazer
novos amigos!”
b) “Que coisa mais patética! E come logo o almoço porque
já estou
perdendo a hora de chegar no serviço!”...
c) “Se você não colocar logo este uniforme, eu...!
eu...!”
(gesticulando como quem estrangula um frango).
RETIRE O EXCESSO DE PESO.
Uma criança de 11 anos ainda é apenas uma criança, não a
miniatura do adulto que você gostaria que ela fosse. Não
cometa o erro (terrível) de impor seu nível de
maturidade às responsabilidades dela.
O excesso de carga também diz respeito às estratégias de
confrontamento utilizadas por muitos pais. “A criança
tem medo de escuro? Tranque-a sozinha em um quarto sem
luz por alguns minutos, ela verá que nada de mal
acontece”. Excelente! Ao bater de frente dessa forma,
você acabou de descobrir uma nova maneira de corroer o
elo de confiança entre vocês.
O mais recomendável é liderar pelo exemplo. Se a criança
fica aterrorizada com cachorros, você não precisa
atravessar a rua toda vez que avistar um. Segure a mão
da criança, mantenha tranqüilamente seu rumo e passe a
mensagem correta: nada de fobias. Não confronte, mas não
evite. O segredo em todas as situações é combinar Bom
Senso com Perseverança, contando sempre com a ajuda do
tempero mais precioso da educação, o Tempo.
CUIDADOS COM OS ESTIMULANTES.
Reduza ou elimine por completo o consumo de cafeína,
refrigerantes e bebidas muito açucaradas, principalmente
à noite. Alguns remédios para alergia, asma e rinite
possuem substâncias estimulantes em sua fórmula. Muito
cuidado com eles.
CRIANÇA SAUDÁVEL, SONO SAUDÁVEL, E VICE-VERSA.
Procure criar uma rotina de atividades durante o dia,
evitando cochilos fora de hora e preservando um certo
ritual para a hora de dormir. Nada de televisão ligada a
noite toda ou refeições pesadas antes de ir para a cama.
CONSIDERE O INCONSIDERÁVEL.
De repente, você é um pai ou mãe ou cuidador ou
professora exemplar, mas ainda assim enfrenta uma
criança ansiosa quase ao ponto do intratável. Apesar de
todos os seus esforços, apesar de todos os exames
médicos e remédios caros, nada parece adiantar.
Por mais triste que a verdade possa ser, a Ansiedade
Infantil pode esconder a ocorrência de maus tratos ou
abusos sexuais por parte de pessoas “acima de qualquer
suspeita”. Se este for o caso, jogue aberto, converse
com a criança e procure orientações junto ao Psicólogo
ou Pediatra responsável.
Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor,
palestrante, autor de “Vida e Saúde da Criança” e
“Crianças em forma: saúde na balança” (www.editoranatureza.com.br)
e colunista do jornal Estado de Minas. Atualmente reside
e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Fonte:
http://br.groups.yahoo.com/group/saudeparatodos/
© Dr. Alessandro Loiola E-Mail/MSN:
alessandroloiola@yahoo.com.br
Fone: +55 (31) 3432-7555 – Fax: +55 (31) 3432 1222
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