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16/04/2007
Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade
O TDAH é um dos transtornos comportamentais com maior
incidência na infância e na adolescência. Pesquisas
realizadas em diversos países revelam que o TDAH está
presente em torno de 5% da população em idade escolar.
Trata-se de uma síndrome clínica caracterizada
basicamente pela tríade sintomatológica: déficit de
atenção, hiperatividade e impulsividade.
A criança pode se apresentar inquieta, não conseguindo
permanecer sentada, abandonando sua cadeira em sala de
aula ou durante o almoço de família. Está sempre “a mil
por hora” ou como se estivesse “ligado em uma tomada de
220 volts”, fala em demasia e dificilmente brinca
silenciosamente, estando sempre gritando. Os pacientes
com este diagnóstico apresentam prejuízos no desempenho
acadêmico e social, pois tem dificuldade em se
organizar, em manter atenção em sala de aula, realizar
deveres escolares ou permanecer sentados ou quietos.
As causas do TDAH ainda não estão bem estabelecidas.
Acredita-se em uma origem multifatorial envolvendo
diversos fatores, sendo que o mais importante deles
seria a herança genética.
O diagnóstico do T.D.A.H. é essencialmente clínico. Não
existem exames laboratoriais ou de imagem que faça o
diagnóstico. A investigação do TDAH envolve detalhado
estudo clínico através de avaliação com os pais, com a
criança e com a escola. Escalas de avaliação
padronizadas para pais e professores podem ser
utilizadas. A avaliação com os pais deve abranger uma
história detalhada de todo o desenvolvimento da criança
ou adolescente contendo desde a história gestacional da
mãe até os dias atuais.
Sintomas de desatenção
Deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por
descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras.
Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou
atividades lúdicas.
Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.
Não segue instruções e não termina seus deveres
escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais
(não devido a comportamento de oposição ou incapacidade
de compreender instruções).
Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
Evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em atividades
que exijam esforço mental constante (como tarefas
escolares ou deveres de casa).
Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por
exemplo brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou
outros materiais).
É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa.
Apresenta esquecimento em atividades diárias.
Sintomas de hiperatividade/impulsividade
Agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira.
Abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras
situações nas quais se espera que permaneça sentado.
Corre ou escala em demasia, em situações nas quais é
inapropriado (em adolescentes e adultos pode estar
limitado a sensações subjetivas de inquietação).
Tem dificuldade para brincar ou se envolver
silenciosamente em atividades de lazer.
“Indo”, “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a
todo vapor”.
Fala em demasia.
Dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem
sido completadas.
Tem dificuldade para aguardar a vez .
Interrompe ou se mete em assuntos dos outros (por
exemplo, intromete-se em conversas ou brincadeiras).
Crianças com TDAH não diagnosticadas e não tratadas
apresentam uma série de prejuízos no decorrer dos anos.
Inicialmente ocorre um baixo rendimento escolar, a
criança não consegue acompanhar sua turma, sendo muitas
vezes até reprovada. Perda da auto-estima, tristeza,
falta de motivação nos estudos e prejuízos nos
relacionamentos sociais podem desencadear episódios
depressivos graves. Durante a adolescência, os prejuízos
acadêmicos e sociais acarretados podem facilitar
abandonos escolares e de faculdade ou propiciar o início
do uso abusivo de drogas e álcool. Possivelmente esses
jovens se tornarão adultos inseguros, pouco habilidosos
socialmente, com menos anos de educação, trabalhando nos
piores empregos e com maiores dificuldades de serem
absorvidos pelo mercado de trabalho.
Dr. Gustavo Teixeira
http://www.comportamentoinfantil.com/
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