| |
07/05/2007
A palavra "MAS"
Analisemos a frase: "Considero você um funcionário muito
competente, honesto, dedicado, MAS gostaria que você não
chegasse atrasado". Qual frase o funcionário vai
memorizar? Certamente, a que é iniciada por "MAS". Além
disso, ficará com a impressão de que chegar atrasado
chama mais a atenção de seu chefe do que o fato de ser
competente, honesto e dedicado.
A palavra "MAS" coloca uma frase em oposição a outra. É
como se a frase iniciada por "MAS" apagasse tudo o que
havia sido dito antes.
Como você se sentiria se alguém lhe dissesse: "Gosto
muito de você, MAS gosto muito de fulano também" ?
Provavelmente, você sentiria que esta pessoa gosta muito
mais do fulano do que de você.
Numa discussão, a palavra "MAS" causa ainda mais
resistência e tensão. Só de ouvi-la, as pessoas se
tornam mais inflexíveis e se colocam na defensiva. Isto
acontece porque estamos condicionados ao seu efeito. Ao
ouvir um "MAS", soa um sinal de alarme que nos faz
defender com mais vigor ainda nossas idéias e posições.
Simplificando muito, diríamos que a cada vez que ouvimos
um "MAS" em resposta ao que dissemos, num diálogo ou
discussão, concluímos que a pessoa que nos fala está
contra nós.
O que se pode fazer para evitar os efeitos negativos do
"MAS"? Primeiro, não usá-lo da forma como demonstramos
nos exemplos acima. Segundo, substituí-lo pela palavra
"E", quando isto for apropriado.
Como na frase "Gosto muito de você E gosto muito de
fulano também". Ou a frase "Considero você um
funcionário muito competente, honesto, dedicado E
gostaria que você chegasse no horário". (Lembra-se de
que é melhor não usar a palavra "NÃO", conforme dissemos
num artigo anterior? Ao invés de dizer "Não chegue
atrasado", melhor dizer "Chegue no horário". )
A palavra "MAS" pode ser usada de forma positiva para
ressaltar um conteúdo desejado: "Meu filho, eu sei que
você está triste por ter ido mal na prova, MAS nós
sabemos que você é muito inteligente e que estudou
bastante". Neste caso, a criança compreenderá que suas
habilidades e possibilidades são maiores que o resultado
de uma única avaliação. Agora, imagine o que a criança
sentiria se a frase fosse invertida desta maneira: "Eu
sei que você é muito inteligente e estudou bastante, MAS
você foi mal na prova"...
As frases que construímos com "MAS" podem ainda revelar
visões distorcidas que temos do mundo e de nós mesmos.
Podem indicar relações que na verdade não existem. Por
exemplo: "Não gosto de ser ríspido, MAS meu trabalho
assim exige". Poderíamos perguntar a esta pessoa: "Quer
dizer então que se seu trabalho não exigisse, você não
seria ríspido?" "Como seria então?" "O que poderia
acontecer se você não fosse ríspido em seu trabalho?"
Estas e outras perguntas auxiliam a pessoa a buscar
informações que ela havia suprimido e a desfazer
relações de causa e efeito que não existiam de fato.
Também objeções são expressas através do "MAS": "Este
carro é lindo, MAS custa muito caro". Uma forma de lidar
com objeções é fazer de conta, por um momento, que elas
não existem: "Então se não fosse caro, este seria o tipo
de carro que o deixaria feliz? Este tipo de pergunta faz
com que o indivíduo avalie melhor seus critérios e
prioridades. Seria como se lhe perguntássemos: "O que é
mais importante para você, o dinheiro que vai gastar ou
o prazer de possuir este carro?"
Por Nelly Beatriz M.P. Penteado |
|