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28/05/2007
Sentimento de culpa leva
à autopunição
"A verdade sai do erro. Por isso nunca tive medo de
errar, nem dele me arrependi seriamente"
Essa frase do psiquiatra suíço C. G. Jung (1875-1961)
nos faz refletir sobre muitas coisas... Quase sempre
chegamos na verdade ao errarmos. É isso mesmo! Mas,
quantos erros cometemos até chegarmos na verdade? Isso
não importa, o que deve importar mesmo é a experiência
adquirida e o crescimento obtido. Mas nem sempre temos
essa consciência e, na maior parte do tempo, os erros
cometidos são transformados em culpas. Alguns passam a
vida errando e se culpando; outros sendo vítimas dos
erros dos outros, e culpando-os; outros não fazem nada
ou em tudo que fazem, são culpados; e outros, ainda para
justificarem seus próprios erros, nos culpam. Que
loucura, não?
Culpa é o sentimento de ser indigno, mau, ruim, carrega
remorso e censura. A culpa é o resultado de muita raiva
guardada que se volta contra nós mesmos. Poderíamos
resumir assim:
Raiva + mágoas reprimidas = culpa = autopunição
Esse sentimento que corrói nossa alma e que muitas vezes
nos impede de sermos nós mesmos, tem muitas variáveis
difíceis de se esgotar. Mas podemos refletir sobre
alguns aspectos geradores de culpa.
Características de quem sente culpa
- Preocupação excessiva com a opinião dos outros;
- Sente-se mal quando recebe algo, pois na verdade não
se considera digno de aceitar o que os outros dão;
- Fala repetidamente sobre o que motivou a sentir culpa;
- Raiva reprimida;
- Dificuldade em assumir responsabilidade pelos próprios
atos;
- Sente-se rejeitado;
- Responsabiliza o outro pelo próprio sofrimento;
- Sente-se vítima em algumas ou muitas situações;
- Geralmente se pune ficando doente, ou sendo vítima
freqüente de acidentes, ou seja, autopunições
constantes;
- Dificuldade em expressar os reais sentimentos;
- Não consegue falar 'não';
- Necessidade em agradar;
- Sempre fazendo algo pelos outros e raramente para si
mesmo;
- Dificuldade em fazer algo só para si;
- Não consegue administrar o tempo, pois está sempre
sobrecarregado;
- Baixa auto-estima;
- Falta de amor-próprio.
Você pode se identificar com essas características ou
ter outras, o importante é reconhecer que a culpa traz
muitas conseqüências em nosso modo de ser e agir.
Perceba como se sente, elevando assim seu
autoconhecimento para mudar o que te faz sofrer.
A culpa pode ser gerada pela (o)
- Religião;
- Morte;
- Manipulação;
- Crítica;
- Regras;
- Acusações;
- Repressão;
- Rigidez;
- Inflexibilidade;
- Julgamento;
- Controle;
- Dependência;
- Superproteção;
- Raiva;
- Medo;
- Rejeição;
- Abandono;
- Abusos;
- Mentira;
- Prazer;
- Felicidade;
- Dinheiro;
- Sucesso;
- Expectativa;
- Comparações;
- Necessidade de agradar;
- Comodismo/ falta de atitude;
- Sentimentos de impotência;
- Preconceito;
- Segredos, principalmente entre os familiares.
Aqui estão algumas causas do sentimento de culpa. A
origem de sua culpa pode ser outra, ou serem várias.
Procure ter a consciência exata da origem do seu
sentimento de culpa. Explore um pouco mais sobre o que
gerou em você a culpa. Comece perguntando-se: O que me
faz sentir culpa? De não ter sido amado? Ter sido
rejeitado, abandonado? Ter acreditado que recebia amor,
quando na verdade recebia apenas o que acreditava ser
amor? Ter sido vítima de maus tratos e abuso sexual
ainda criança? Terem me ocultado a verdade, o que me
obrigou a acreditar e conviver com a mentira? De não ter
sido amado?
Faça uma lista de todas as culpas que você sente, por
maior que possa ser a lista, faça! Isso o ajudará a
compreender melhor seus sentimentos e conflitos gerados
pela culpa. Analise as situações em que aconteceram os
fatos e se você efetivamente tinha condições de agir
diferente de como agiu. Depois continue sua análise.
Onde, quando e por que começou cada uma delas? Quais são
as situações que me sinto culpado pelo que fiz ou deixei
de fazer? Quais eram meus valores em relação ao assunto
quando agi daquela forma? Se fosse hoje minha atitude
seria diferente? Como? Quem fazia ou faz com que eu me
culpe? Busque a relação da culpa atual com seu histórico
de vida. O objetivo desse exercício não é buscar mais
culpados, mas explorar os motivos pelos quais ainda se
culpa, se responsabilizando pelos seus atos, e mudar o
que pode ainda ser mudado, libertando-se desse
sentimento que aprisiona e impede o crescimento.
Conseqüências da culpa
- Autopunição;
- Medo;
- Sofrimento;
- Remorso;
- Estagnação;
- Doença - segundo alguns estudos, a culpa está presente
em praticamente a maioria das pessoas portadoras de
câncer;
- Tristeza/depressão;
- Submissão;
- Prisão emocional;
- Solidão;
- Dificuldade em impor limites, dizer não;
- Fuga através do álcool, drogas;
- Compulsão alimentar;
- Conflitos internos e nas relações ;
- Dificuldade em sentir prazer;
- Destruição da auto-estima e amor-próprio.
As conseqüências da culpa são muitas, isso ocorre porque
com a culpa está sempre presente a necessidade, ainda
que inconsciente, de autopunição. É certo que a culpa
pode ser um sinal de alerta sobre falta de limite e
respeito pelo outro; ou a indicação que é preciso mudar
algum padrão de comportamento. Caso contrário, poderá
continuar machucando aqueles que lhes são mais caros.
O mais indicado sempre é responsabilizar-se e não se
culpar, pois a culpa faz com que permaneçamos no papel
de vítima e esse traz apenas estagnação e repetição de
padrão, não proporciona crescimento. A responsabilidade
faz com que acreditemos na capacidade de mudar. E todos
nós temos essa capacidade!
Por Rosemeire Zago |
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