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27/03/2007
A Espiritualidade Perdida
"A fé abre a porta ao
conhecimento. A incredulidade a fecha."
(Santo Agostinho)
O grande filósofo cristão Santo Agostinho diz que o
homem só descobre a paz quando ele encontra-se com Deus.
Esta afirmação pode parecer absurda ante a secularização
do ensino e das universidades, ou ainda, ser de todo
incompatível com o ideal de cientificidade apregoado
desde o iluminismo e a solidificação do paradigma da
modernidade que marca o ambiente universitário que nos
circunda. Contudo, todos os esforços de reduzir ou
desprezar a dimensão transcendental do homem, ou ainda,
de separar (como que buscando uma pureza asséptica) o
ambiente universitário/científico do espaço da fé,
resultaram em catástrofes para a humanidade, ou a
degradação moral e cultural de um povo, ou o nascimento
de fundamentalismos excludentes. Os principais dilemas
(ou mesmo dramas) dos tempos atuais.
Não há como ignorar a incansável procura do homem pelo
que transcende a si próprio, pelo que extrapola a
qualquer pensamento humano; o homem busca de forma
exaustiva saber mais sobre sua existência, em alguns
momentos ele faz grandes descobertas que alimentam em si
a esperança de sua verdadeira existência, mas na grande
maioria das vezes permanece num incansável mar de
interrogações que, ao longo dos anos, tem perturbado seu
viver.
A busca pelo saber tem feito o homem esquecer de seu
interior, tem levado a todos nós esquecermos de nós
mesmos, de nossos medos, traumas, fragilidades,
egoísmos, etc... Arnaldo Jabor, em um artigo publicado
do Jornal Estado, no dia 05 de abril de 2005, relata sua
experiência ante a constatação da ausência do espaço
para a busca pelo transcendente nas universidades e na
sociedade em geral. O autor afirma que, após assistir,
na sua casa, a cobertura que a mídia fazia da morte do
Papa João Paulo II, constatou, perplexo, uma sensação de
ausência. No final do artigo, o autor sentencia:
“Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que
se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova
ética, de um pensamento transcendental, de uma
espiritualidade perdida”
Arnaldo mesmo confessando sua incredulidade, defende a
necessidade de instauração de uma nova Ética, de um novo
pensamento transcendental e, o mais a humanidade precisa
“de uma espiritualidade perdida”. A cada momento vemos
uma infinidade de profissionais entrando no mercado de
trabalho, saindo das instituições de ensino
pseudo-preparados para enfrentar o mercado de trabalho e
a competitividade que este exigirá. Mas o que pôr muito
tempo as instituições esqueceram foi à importância de
buscar conciliar a fé à razão, de valorizar a
identificação do indivíduo ao outro (ao diferente, ao
plural), de afirmar como valor a ser buscado o
compromisso social de transformação da realidade que o
cerca.
Jean Ricardo Severino
Luiz Magno P. Bastos Júnior |
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