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17/08/2006
Desentendimentos
O mundo está formado de grupos que se olham com desconfiança
crescente. O egoísmo, medo, orgulho não estão espalhados no ar,
estão dentro das pessoas que não tem coragem de remover as barreiras
que os separam.
Nos relacionamentos é freqüente vermos separações por mal
entendidos, as pessoas afastam-se magoadas pela falta de
compreensão, enfrentando a irritação do parceiro que julga a sua
atitude como obstinação e leviandade. Tímidos um perante o outro,
começam a seguir caminhos diferentes.
É o medo que leva a esse caminho, esconde os enganos e os fracassos,
o indivíduo toma ares despreocupados quando absolutamente não está
tranqüilo. Tem medo de ser enganado em seus negócios, em suas
aspirações, teme abandonar algum hábito ou mesmo seu comodismo, não
quer dar oportunidade ao outro e então disfarça suas intenções. E
assim vai contribuindo para a criação desta atmosfera de suspeitas e
desconfianças.
Franqueza, confiança, compreensão, amor, carinho, aconchego, nada
disto pode existir entre pessoas que se escondem umas das outras. Só
pode haver tais emoções se despir à máscara e abandonar o
fingimento, deixar que o outro o conheça como é realmente. E isso
exige coragem.
Viver dissimulando levanta barreiras, enclausura, cria o afastamento
o isolamento e pensamentos mórbidos, que causam doenças.
Quando o indivíduo resolve viver às claras consigo mesmo e com
outros, provoca uma verdadeira revolução. Um político que pede
desculpas pela violência de um discurso, provoca o entendimento
imediato entre partidos. O presidente de uma empresa, reconhece o
lucro excessivo, propõe aos concorrentes uma baixa de preços. Um pai
que conta a um filho suas próprias dificuldades. Um casal, há muito
separado, resolve falar com franqueza, abrir o coração. Então tudo
volta ao normal.
Duas pessoas não podem conviver, a menos que haja, entre eles,
confiança recíproca. É este apego aos próprios fins, aos próprios
interesses, que afasta e divide as pessoas em facções antagônicas
por que só permanecem unidas enquanto os seus interesses não entram
em conflito.
O indivíduo que tenta se vingar de uma pseudo-agressão que jamais
existiu, através do comportamento, da raiva, das atitudes
inconseqüentes, das mentiras, dos gestos antipáticos, das
provocações, do orgulho, o que consegue é matar na outra o respeito
por si mesmo gerando o afastamento em um círculo vicioso de magoa e
ressentimentos.
O homem só vence estas dificuldades quando das profundezas de seu
eu, sobe a tona sua força interior para libertá-lo. Sabemos que não
possuímos bastante energia para quebrar de uma vez os moldes no qual
nos enquadramos. Mas, pelo menos podemos reconhecer que somos
senhores de algumas de nossas ações.
Por Carmen N.Kuroviski
Fonte:
www.artigos.com |
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