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21/08/2006
CIÚME: DEVEMOS CULTIVAR OU EVITAR?
O ciúme é uma emoção, instintiva e natural. Os animais
também manifestam ciúme. É um sentimento comum a todos
os seres humanos – quando se fala a palavra ciúme todo
mundo sabe seu significado porque já sentiu. Mas não
devemos nos deixar guiar pelo ciúme, pois as emoções são
más conselheiras. A arte do viver consiste em ter a
emoção como motor e a razão como leme, assim aquela nos
motiva e esta nos orienta. Neste sentido, o ciúme pode
ser o útil motor que nos leva a sermos cuidadosos com
nosso objeto de amor, mas sempre lembrando que cuidado
não quer dizer controle, nem domínio.
Por ser instintivo, o ciúme é verdadeiro e deve merecer
nosso respeito; mas é também irracional e precisa ser
examinado e aceito pela razão. Respeito não significa
aceitação. O ciúme quando não temperado pela razão nos
torna possessivos, o que também é uma característica
natural (pois também se encontra nos outros animais);
mas o desejo de um ser humano para dominar e controlar
os outros e tratá-los como uma propriedade sua ofende
nossa inteligência.
Basicamente, o ciúme consiste no medo de perder para
outro o objeto amado. E para que tal não ocorra devemos
zelar pelo nosso amor. Zelo e ciúme andam próximos – em
espanhol a palavra "celoso" tanto significa zeloso
quanto ciumento. Ou seja, o ciúme nos faz zelosos.
A insegurança é uma das causas do crescimento anormal do
ciúme. Em geral está relacionada com a consciência de
estarmos sendo pouco cuidadosos ou incompetentes quanto
à nossa relação amorosa. Quem não cuida de seu amor
acaba sentindo-se em falta e temendo ser castigado e a
expectativa gerada por este sentimento de culpa agrava o
sentimento de ciúme. Os jovens costumam ser muito
ciumentos por insegurança em relação à sua capacidade
para administrar o namoro.
Por vezes, o ciúme nem tem a ver com a questão sexual.
Podemos ter ciúme da pessoa amada, mesmo sabendo que ela
não vai ter encontros sexuais com outras pessoas, mas
simplesmente porque ela fica falando no telefone quando
estamos querendo conversar. Mera possessividade, uma
característica instintiva do ser humano e de grande
parte dos mamíferos, que temos que reconhecer que
possuímos, mas à qual não devemos ficar escravizados,
como não devemos ficar escravizados às outras nossas
características instintivas, embora as reconhecendo e
respeitando.
Há pessoas que negam sentir ciúmes, possivelmente estão
enganando-se a si mesmas e não estão tendo suficiente
contacto com seus sentimentos mais escondidos; ou estão
se esquivando do amor. Nascemos com o selvagem desejo de
possuir os outros, principalmente àqueles que amamos e
consideramos importantes para nós. Isto ocorre desde a
infância, na relação com nossos próprios pais ou, na
falta destes, com os adultos que desempenham o papel
paterno.
As pessoas mais sadias lidam com seu ciúme tentando
compreendê-lo e evitando manifestá-lo de forma
irracional. Ou seja, o sentimento de ciúme pode nos
ajudar a melhor compreender uma situação que estamos
vivendo e por isto ele merece ser ouvido e examinado. As
questões a serem respondidas são: "O que está me levando
a sentir este ciúme agora?" "O que posso fazer para
diminuir o desconforto que o ciúme me causa?" "Qual a
maneira produtiva de conversar com meu parceiro(a) sobre
meu sentimento?" "Como modificar minha relação amorosa
para parar de sentir ciúme?"
As manifestações destrutivas do ciúme – desde as
conhecidas "cenas de ciúme" acompanhadas de gritos e
choros até a violência mais explícita das agressões –
fazem parte do conjunto de impulsos naturais e selvagens
que possuímos e cuja repressão é proposta como base para
a vida civilizada. Desde muito cedo somos treinados a
controlar nossos impulsos naturais, começando na mais
precoce infância pelo controle das excreções com o uso
do penico. Aliás, este talvez seja o lugar ideal para
despejarmos os nossos ciúmes, pois quando deixamos os
sentimentos guiarem sem restrições nosso comportamento
os resultados costumam ser catastróficos.
Quando encaramos a relação amorosa como uma relação
livre entre dois adultos independentes, nela não há
lugar para nos sentirmos proprietários de nosso(a)
parceiro(a). Por isto, temos que estar diária e
permanentemente reconquistando e seduzindo o outro e
zelando pelo relacionamento.
Autoria: Luiz Alberto Py
Fonte:
http://www.albertopy.com.br/ |
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