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17/09/2006
O Relacionamento Conjugal
A questão aqui não é ditar regras sobre como viver um
relacionamento conjugal, pois cada casal representa 2
universos cada qual com suas características próprias em
termos de motivações, características, experiências,
e... recalques.
A dualidade existente na natureza, presente em tudo o
que nos cerca, através das energias representadas por
Yin e Yang, nos dá uma dica de como o processo de
equilíbrio se processa:
O "caminho do meio"
A união entre 2 pessoas simbolizam a busca espiritual do
ser humano, da dualidade (masculino e feminino -
positivo e negativo ) para a unidade (Deus), sendo
assim, o masculino e o feminino, a ação e a intuição, a
razão e a emoção... Muito bonito mas na prática não é
bem assim... Por que?
Tenho observado alguns fatores que implicam na
desarmonia do relacionamento de um casal :
-imaturidade afetiva, infantilidade no relacionamento,
birras, etc.
-individualidade - fazer tudo do seu jeito sem se
importar com a opinião do outro (autoritarismo : "quero
assim e pronto, o outro que se dane...)
-incapacidade em ceder (orgulho e rigidez)
-falta de autoconhecimento (desconhecer suas emoções e
dinâmicas : vítima, caçador, salvador, etc.)
-supervalorização excessiva do status, posição
profissional e dinheiro (soberba), em relação a valores
permanentes e gratificantes a nível mais profundo e
humano.
-agressividade que se acumula fora de casa (geralmente
no trabalho) e se descarrega em casa (ou nos membros da
família), falta de autocontrole..
-infidelidade. obs: a fidelidade é mais fácil quando se
vive cultivando alegria e amor.
Muitos divórcios se originam de pelo menos um dos pontos
acima, que poderiam ser trabalhados individualmente ou
em casal através de uma psicoterapia ou simplesmente
pela auto-observação consciente, .
Algumas reflexões que, ao meu ver, se tornam importantes
num relacionamento a dois.
1. ser realista - não existe mulher ou homem ideal, e
temos o livre-arbítrio de dar ênfase tanto aos defeitos
como às qualidades do parceiro.
Quando enxergar um defeito do outro, que o irrita,
refletir se esta percepção não é um reflexo de nossas
características internas.
2. delimitar os espaços - aqui, quero dizer separar as
áreas da vida como família, o trabalho, os problemas
financeiros, as insatisfações pessoais para que estas
não sejam descarregadas nos membros da família.
Normalmente, quando temos problemas financeiros,
desemprego, dividas, ficamos irritados com o cônjuge
buscando um culpado, e assim desestruturamos o convívio.
Separar as áreas da vida significa não levar trabalho
pra casa, não trabalhar no fim de semana em detrimento
da família, também não ficar resolvendo problemas
familiares no horário de trabalho, não descontar suas
insatisfações por problemas financeiros nos membros da
família, não culpar o cônjuge ou os filhos por
insatisfações pessoais, resolvendo-as com um
especialista.
3. exercitar a harmonia - a troca em todos os sentidos,
na conversa, no carinho, no sexo, na amizade. Muitas
pessoas reclamam que o parceiro não lhe dão carinho, mas
elas próprias também não dão carinho ao parceiro. Acham
que têm o direito de receber mas não o dever de dar...
Outro aspecto importante é o companheirismo. Um casal
que não cultiva a amizade, cai no perigo de se tornar
inimigos quando a paixão não mais estiver presente. " A
amizade é o próprio amor incondicional!"
O casamento ou um relacionamento, é como uma plantinha.
Precisa ser cultivada, adubada... Para isso, contribuem
a admiração, a aceitação dos erros dos outros, pela
consciência de que também nós temos os nossos.
A demonstração de que o parceiro pode contar com o nosso
apoio nas horas difíceis, o diálogo franco e aberto mas
sempre com equilíbrio e bom senso sem ofender ou magoar
o outro, (falar tudo o que vem à mente sem cuidado não é
honestidade, mas falta de respeito pelos sentimentos do
próximo), o perdão sincero nos momentos de crise...
O cultivo da energia no relacionamento e no lar, fazendo
com que o outro seja seu companheiro, seu colo, seu
ninho, seu abrigo seguro, quando voltar para casa...
Um local e alguém com quem você possa rir, relaxar,
carregar sua bateria de afetos mas também ter o prazer
de sentir-se importante por ser também este "ninho",
carregando a bateria de afetos do companheiro.
Roberto Dantas - Psicanalista e Psicoterapeuta
membro do Instituto Alvorecer - S.P.- Fone (11) 6848.2300
E-mail:
rodavi@ig.com.br |
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