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13/11/2006
Tem
certeza de que sabe ler?!
Toda
vez que a gente fala de encontros entre pessoas,
independentemente do grau ou do rótulo que se dê a eles,
inevitavelmente temos de ressaltar a importância do
diálogo. Acontece que nem sempre nos lembramos do
verdadeiro significado desta palavra!
Dialogar significa que um fala e o outro ouve e depois
um ouve e o outro fala. Definitivamente, não é diálogo
quando um só fala e o outro só ouve. Mas, pior do que
isso, é quando os dois falam e nenhum dos dois ouve.
Entretanto, infelizmente é o que mais acontece nas
relações. Os dois falam, mas nenhum dos dois ouve! Os
dois estão abarrotados de suas próprias verdades,
atolados de suas próprias convicções e, portanto,
indisponíveis para se interessar pelas verdades e pelas
convicções do outro.
Argumentam: “eu já sei o que você vai dizer!” ou “eu sei
muito bem o que você quis dizer com aquilo”... e pronto
– está destruída a chance de qualquer entendimento.
Assim, as mais terríveis acusações são feitas, as
maiores ofensas são alimentadas e uma lamentável disputa
de egos fica a serviço de destruir, subjugar e machucar
um ao outro.
Antes
de começar uma conversa, especialmente aquelas mais
difíceis, para as quais já vamos palpitantes e tensos,
deveríamos passar por uma espécie de ‘câmera esvaziadora
de crenças, conceitos e, sobretudo, preconceitos’.
Somente desta maneira chegaríamos diante do outro com
espaço suficiente para deixá-lo ‘entrar’. Ou seja, para
de fato ouvirmos o que ele tem a nos dizer.
E aí
sim a dinâmica seria harmoniosa: um fala e o outro ouve;
um ouve e o outro fala. Alternadamente, atenta e
respeitosamente, o objetivo seria cumprido, ainda que
muitas outras conversas precisassem acontecer até que se
esgotassem todas as dúvidas e mágoas.
Isso
sim é desejar o consenso, é querer realmente um
entendimento; é saber o verdadeiro significado da chance
soberana que nos é dada de nos relacionarmos com as
pessoas, seja lá sob qual pretexto for.
O que
importa de fato não é o tema discutido nem tampouco a
sua opinião. O intuito de se aprender a ler o coração do
outro (isto é, ouvir o que ele tem a dizer) vai além de
qualquer assunto ou veredicto: apresenta-se como o único
caminho que nos conduz à oportunidade de nos tornarmos
pessoas melhores.
Por
isso, antes de tentarmos impor a nossa verdade ao outro,
que tal, por um dia que seja, ficarmos realmente atentos
ao que ele tem a nos dizer... realmente ler o seu
coração, respeitar os seus sentimentos?
Assim,
quem sabe – por mais destoantes que eles sejam dos
nossos – talvez possamos amorosa e humanamente
acolhê-los, reconhecendo que somos todos aprendizes,
moradores de uma mesma dimensão, sob as dores e as
delícias de um mesmo Universo...
Por
fim, é na capacidade de ponderar, refletir e aceitar o
fato de que uma
verdade é apenas um ponto de vista que está o
real exercício de amor, tão escasso em nossas vidas
ultimamente!
Rosana Braga
Escritora e Consultora em Relacionamentos. Palestrante
na área de Desenvolvimento Profissional e
Relacionamentos Interpessoais.
www.rosanabraga.com.br
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