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20/11/2006
O outro tem o direito de
não gostar de você
Freqüentemente vejo pessoas se autodestruindo ou
tentando destruir o outro porque não se conformam com o
fato de não serem correspondidas. Afirmam
insistentemente que “amam” e, em nome deste sentimento,
julgam-se dona de toda e qualquer razão, como se
qualquer atitude pudesse ser justificada por este
sentimento.
Claro que desejamos ser correspondidos quando gostamos
de uma pessoa. Óbvio que queremos nos relacionar com ela
e creio que seja muito saudável fazermos o melhor que
conseguirmos para tentar conquistá-la; mas precisamos
considerar que nenhuma investida é garantida.
Faça o que fizer, haja o que houver e ainda assim o
outro terá o direito de não querer, não gostar, não
conseguir corresponder e oferecer os mesmos sentimentos.
Acontece que algumas pessoas simplesmente não
compreendem isso. São imaturas; comportam-se feito
crianças que esperneiam e fazem birra a fim de conseguir
o que querem.
Algumas optam pela autodesvalorização. Diante da recusa
do outro, entregam-se às lamentações e não se cansam de
repetir que são feias, desinteressantes e não têm sorte
na vida. Pisoteiam sua própria auto-estima até realmente
ficarem muito menos atraentes do que poderiam ser.
Existem as que mergulham tão profundamente nessas
crenças que desenvolvem sentimentos próprios de
depressão, instabilidade de humor, desânimo diante de
tudo e de todos e, em alguns casos extremos, chegam até
a desistir de viver.
Outras preferem atacar quem as rejeitou. Ainda que esta
opção também signifique autodestruição, tais pessoas se
empenham em bagunçar a vida do outro. Fazem escândalo na
família dele, em frente a casa, tentam difamá-lo entre
os amigos e, seja através de diretas ou de indiretas,
não medem esforço para causar-lhe transtornos de todas
as ordens.
Se você se derruba ou tenta derrubar o outro quando não
consegue despertar nele o mesmo sentimento que o dedica,
está na hora de crescer e amadurecer; de entender de uma
vez por todas que as pessoas têm o direito de não gostar
de você, assim como você também tem o direito de não
gostar de alguém que se declara e revela o desejo de
estar ao seu lado!
Sei que é triste, que a gente fica mal, chora e se
angustia com uma recusa. Até aí, muito compreensível:
todos nós desejamos ser amados por quem amamos. Mas
depois de algum tempo (sejam dias ou alguns meses), isso
tem de passar.
Aceitar o “não” é ser justo e democrático; é ser adulto
o bastante para acatar os sentimentos do outro sem
acreditar que ele tem o poder de lhe destruir caso não
queira ficar com você. Não tem! E se você se vê
destruído, saiba que a responsabilidade é sua e não do
outro. Quem se destruiu foi você!
E enquanto digere a tristeza de não ser correspondido,
comporte-se com dignidade. Não alimente pensamentos
insensatos e unilaterais. Tente perceber como você pode
se tornar melhor depois deste episódio. Sempre temos
algo a aprender e as dores do amor servem perfeitamente
para isso.
Por fim, não se esqueça: a gente só pode seduzir de
verdade o coração de alguém quando usa, para tanto,
atitudes de amor. Infantilidade, exageros, ofensas e
acusações podem até fazer parte da reestruturação de uma
relação, mas não podem persistir até que a única coisa
que você mereça seja piedade. Porque, certamente, você
merece bem mais do que isso!
Rosana Braga
Site:
www.rosanabraga.com.br
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