A felicidade só é possível
quando se constroem relacionamentos saudáveis. É pelos
encontros que cultivamos em nossa vida, que vamos
atingir a maturidade.
Cada vez mais as
pessoas descobrem que precisam adotar uma nova maneira
de se relacionar, na qual o contato signifique não só
crescimento, mas um laço de união profunda entre elas.
Um relacionamento construtivo segue a fórmula
eu+tu+nós. Isso só se torna possível quando uma
relação estimula o crescimento de cada pessoa e cria
uma nova entidade, que vai além dos dois.
É triste ver uma união
que não consegue evoluir, apesar da consideração que
as pessoas têm uma pela outra. Antigamente, quando
isso acontecia num casamento, o casal ficava junto
apenas por obrigação. Os dois viviam infelizes até que
a morte os separasse. Enquanto isso, destruíam-se.
Apesar do sofrimento, lutava-se para manter as
aparências.
Hoje as pessoas não
vêem mais sentido em suportar um relacionamento por
dever. Elas querem ser felizes e se não conseguem,
sentem muito mais facilidade em se separar.
Certamente, a separação não é a única solução para as
dificuldades de convívio, mas continuar junto por
dever não é mais suficiente. As pessoas querem e
merecem mais.
Os relacionamentos de
dependência
O modelo de dependência
do passado está falido. Viver para controlar o outro é
muito desgastante. Os donos do futuro têm claro que se
não há mais espaço para os individualistas também já
não há lugar para pessoas dependentes. O mundo atual
exige que sejamos autônomos e capazes de administrar
nossa vida. Não devemos confundir cooperação com
dependência. Na empresa, é preciso que os
relacionamentos estimulem as pessoas a desenvolver
capacidade. É tanto trabalho, são tantas mudanças, que
ninguém tem mais tempo de controlar os outros.
Nem o gerente tem tempo
de verificar se a secretária fez o que combinaram nem
ela tem tempo de mimá-lo. São duas pessoas autônomas
que trabalham juntas pelo prazer de construir o
sucesso da organização. Não se trata mais de relações
como o do pai que cuida que a filha não se perca no
mundo. Nem como o da mãe de antigamente que fazia a
lição de casa para o filho.
Os casais começam a
perceber que precisam se dar as mãos e trabalhar
juntos pelos mesmos objetivos. A mulher está saindo de
casa para se realizar como pessoa e participar da
construção do orçamento da família. Os homens estão se
dando conta de que seu papel já não é unicamente o de
provedor, mesmo porque cada vez mais as mulheres
recebem bons salários e, cada vez mais, salários
superiores ao do companheiro. É preciso conceber uma
nova forma de relacionamento, mais amigo e
cooperativo, em que ambos sejam felizes para pensar,
sentir e agir.
Os pais querem
descobrir uma maneira de formar filhos mais autônomos.
Percebem que criar filhos dependentes é um erro
grosseiro. Primeiro porque se sentem sobrecarregados
com a pressão do trabalho e segundo porque querem
formar pessoas bem-sucedidas, capazes de decidir sobre
a própria vida. Os pais percebem que, nas empresas, os
profissionais submissos cada vez mais cedem seus
postos a outros com mais iniciativa.
Conhecer
bem o “eu” para construir relacionamentos mais plenos
O objetivo dessa conversa é ajudá-lo a ter mais
consciência de sua maneira de se relacionar e de como
criar um caminho mais pleno para estar com as pessoas
que você ama. Vamos analisar os individualistas e os
dependentes. Como vimos, os dependentes dividem-se em
dois tipos: os dominadores, que têm poder e gostam de
controlar, e os culpadores, aos quais podemos chamar
dominados – na verdade, também dominam, porém de forma
mais sutil, através da culpa.
Saídas
para o crescimento
O dominador mergulhará nesse ciclo de relacionamentos
simbióticos até descobrir que merece uma vida mais
plena. Um belo dia acorda saturado do estilo dessa
vida de admiração e começa a se perguntar se é feliz
ou do que precisa para ser feliz. Então, geralmente,
tem a sensação de haver desperdiçado sua vida.
1. Aprender a respeitar as decisões do outro
O dominador precisa aprender a respeitar as decisões
alheias. Deve perceber que o crescimento de alguém não
significa uma ameaça direta nem um ato de desamor. O
outro simplesmente está fazendo o que gosta, quer
cuidar de sua vida, e não magoar.
2. Parar
de controlar a vida do outro
Querer controlar alguém é algo desgastante e inútil. É
simplesmente uma ilusão. Você pode imaginar que, pelo
fato de estar olhando e monitorando pessoas, tem poder
sobre elas. Doce ilusão. O marido ciumento que
controla a esposa é o que mais acaba por incitá-la à
traição.
3. Pedir
ajuda
Quando o dominador deixa de controlar o outro e passa
a respeitá-lo, está apto a dar o terceiro passo, que é
ter a humildade de pedir ajuda.
4.
Conquistar o que o coração precisa
A publicidade cria muitos objetos de desejo que não
têm a mínima importância para a felicidade.
Infelizmente, muita gente desperdiça energia apenas
para ser vista como uma pessoa de sucesso, deixando de
valorizar aquilo que tem real importância em sua vida.
Roberto Shinyashiki é
psiquiatra, escritor e conferencista –
www.shinyashiki.com.br