|
|
| |
Relacionamentos
<+Artigos |
|
| |
09/01/2007
Sem sorte no amor
Entra ano, sai ano e a queixa é sempre a mesma. Estou
sem amor! Mas o que será que acontece com algumas
pessoas que não encontram o seu par? No começo pensava
que a integração familiar (terapia de canalização dos
arquétipos pai/mãe/criança) poderia ajudar, como já
ajuda em muitos casos. Mas percebi que ainda não era
suficiente. A integração prepara para melhores
relacionamentos, mas não retira o estrago feito por um
desastroso casamento. O que se passa, então? Eu sempre
disse que quando nos relacionamos sexualmente com
alguém, estamos nos embaraçando karmicamente com este
alguém. Como se nós estivéssemos atraindo o foco de
realidade dessa pessoa para nós. Vence quem estiver
mais forte nessa relação. Numa quebra de convivência,
a parte mais frágil ficará desestabilizada e o que é
pior, com o arquétipo do(a) parceiro(a) dentro dele. A
partir de então parece que a fila dos mesmos
relacionamentos começam a andar na nossa direção. São
padrões específicos do amor terreno. Muitas pessoas
ficam como viciadas nessa vivência em que só restam
duas alternativas: uma é se fechar para o amor e outra
é atrair pessoas iguais ao último e difícil
relacionamento.
Para quem não quer se submeter a alguma terapia,
aconselho a ficar diante da fotografia dele ou dela e
dizer tudo o que não pode ou não conseguiu. Pelo menos
haverá a possibilidade de transformar todo o resultado
negativo do relacionamento, em algo melhor. Sempre
retemos na memória a parte pior da relação. Muita
gente corre para outros relacionamentos com o intuito
de “apagar” o último. Como se quisesse expulsar as más
lembranças ou o arquétipo do(a) parceiro(a) que ficou.
Cada relacionamento nos traz uma provocação sobre nós
mesmos. Atraímos pares que nos estimularão a mostrar
nossos lados melhores e também piores. Saímos muitas
vezes desses casamentos como se estivéssemos numa
verdadeira guerra, onde o que perdemos de mais valioso
é a nossa auto-estima. Nos entregamos na tentativa de
suprir nossas maiores carências e muitos se tornam
reféns de comportamentos manipuladores e até
psicóticos. Quando há filhos, pior fica. Parece que
não há solução. Só resta agüentar. Atendo pessoas
recém-separadas e com os seus personagens (ego)
totalmente destruídos. Quando vamos verificar, tudo
começou com um pai ausente, ditador ou cruel. Isso
serve para os homens que procuram menos a terapia,
nesses casos. Quando chegam a fazê-lo nos deparamos
com uma mãe castradora, ausente ou até molestadora.
Atendi um paciente que, aos 62 anos, não sabia porque
há 25 anos mantinha um relacionamento homossexual
masoquista, onde o parceiro o agredia
sistematicamente. Um homem sensível, bondoso e triste.
Fomos buscar a informação em seus 2 anos de idade. Seu
pai o molestava, diariamente, ameaçando-o se contasse.
Nem precisa dizer o que aconteceu quando lhe disse o
que via. Chorou copiosamente como uma criança
vilipendiada em sua inocência. Entendera, finalmente,
porque seu pai gritava, antes de morrer, que o
perdoasse. Hoje reconciliou-se com a família com quem
não tinha mais contato fazia anos.
Somos condicionados pelos acontecimentos e nos
viciamos a eles, atraindo situações que irão nos
mostrar o que ainda temos que ver em nós mesmos.
Não deixemos as oportunidades irem embora sem um bom
diagnóstico do que nos causou. É a melhor garantia de
que não mais precisaremos sofrer por amor.
Vera Ghimel -
veraghimel@oi.com.br
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|