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Relacionamentos
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23/01/2007
Na contramão dos
sentimentos!
Outro dia, conversando com uma amiga, ela me contava
sobre o término de seu relacionamento. Falava sobre o
quanto estava triste, o quanto havia ficado angustiada
e decepcionada com a conversa que tiveram quando ele
decidiu romper o namoro.
Como é de costume, percebi que aquele desabafo servia
para que ela se sentisse um pouco melhor, afinal, num
momento como esse, tudo o que desejamos é um pouco de
amparo e acolhimento daqueles que gostamos e em quem
confiamos.
Tentei fazer isso. Mostrar o lado bom da situação.
Ponderar sobre o que estava acontecendo há algum tempo
entre eles e que não vinha fazendo bem a nenhum dos
dois e tal.
Nossa conversa seguia muito bem até que ela fez um
comentário – infelizmente, não tão raro quanto eu
acredito que deveria ser. Como a maioria das pessoas
faz após uma briga ou um rompimento, ela também se
queixou de um comportamento que teve diante dele,
enquanto a delicada e dolorosa decisão era tomada.
Disse que de tudo o que acontecera, do que mais se
arrependia era de ter chorado, de ter demonstrado o
quanto gostava dele e o quanto seria difícil
esquecê-lo. Lamentou-se por ter sido tão “fraca” e por
ter deixado que ele “saísse por cima” da situação.
Por alguns instantes fiquei pensando se deveria
manifestar a minha opinião – tão contrária à dela –
naquele momento, ou se deveria deixar para um momento
menos emocional. Mas concluí que, justamente por estar
tão mobilizada, talvez fosse aquela a hora de perceber
o quanto a transparência e a manifestação do coração
eram importantes e humanas.
Comecei questionando por que será que a maioria das
pessoas acredita que demonstrar um sentimento
verdadeiro, expor o coração e especialmente chorar
diante do outro é ser fraco, é ser um perdedor, é
ficar por baixo, inferiorizado e diminuído? Não seria
exatamente o contrário?
Será que inverter as aparências é realmente um sinal
de fortaleza ou de superioridade? Será que erguer os
escudos e apontar as armas ao outro é realmente a
melhor maneira de nos sentirmos bem, aliviados e
satisfeitos diante de uma circunstância onde, na
verdade, o coração está sangrando, doendo, sofrendo?
Até entendo que temos medo de sermos “atacados” no
momento em que baixamos nossas armas, mas não é isso o
que tenho visto, nem em minhas experiências pessoais e
nem nas experiências que tão atentamente procuro
observar.
O que descubro, cada dia mais, é que um coração –
diante de outro – se rende quase que inevitavelmente,
desarmado pela sutileza de sua grandeza, de sua
verdade. Ou seja, quase sempre que demonstramos o que
realmente estamos sentindo, seja este sentimento
recíproco ou não, o outro não se atreve a nos machucar
mais.
Muitos de nós somos dotados de uma inteligência
afetiva que nos faz reconhecer a coragem de alguém
que, apesar de seu medo, se despe de seu orgulho, de
sua arrogância, deste desejo mesquinho de querer
parecer “o vencedor”, e simplesmente é gente, com
todas as limitações que esta condição lhe confere.
Porque quando baixamos o tom de voz, embargada por uma
dor que é intransferível,
quando não nos escondemos atrás de frases-feitas, de
acusações incessantes e de uma postura medíocre e
artificial, o que fica à mostra é uma alma que segue
seu destino com humildade e dignidade, e um coração
que se recusa a andar na contramão!
Rosana Braga
Escritora e Consultora em Relacionamentos. Palestrante
na área de Desenvolvimento Profissional e
Relacionamentos Interpessoais.
www.rosanabraga.com.br
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