Por que ninguém
quer compromisso?!?
Parece que as prateleiras estão cada vez mais
abarrotadas deste “empoeirado produto”:
compromisso! Virou moda não querer...
dispensar... E quem se arrisca a assumir algum, parece
ficar um tanto deslocado, sem saber como agir, pra
onde ir, com quem falar...
Mas
será mesmo que se comprometer é uma opção? Não lhe
parece que o compromisso é condição inata? Não estar
comprometido com alguém ou alguma coisa já não seria o
próprio compromisso assumido?
Ok,
vou me explicar! Por mais que se tente afirmar que a
liberdade é o oposto do compromisso, isto não passa de
uma ilusão, uma tentativa insana de se apegar a uma
condição impossível de existir. Estar vivo já é um
compromisso. Não se pode ser livre sem – antes – estar
comprometido.
Tá...
estou falando mesmo de relacionamentos afetivos, mas
também da vida de modo geral. Só se vive, só se faz
história, só se deixa marcas quando se assume
compromissos. O compromisso de crescer é o primeiro.
Andar, falar, escrever, ler, fazer amigos, enfim,
amadurecer enquanto pessoa.
Depois, os amores, as paixões, as relações. Dentre
isso tudo, as decepções, as vitórias, as alegrias e as
dores. Tudo isso é vivido como compromisso. Acontece
que, de uns tempos para cá, virou moda aderir à
comunidade onde a lei é não se comprometer.
As
pessoas – e não só os homens – dão-se o direito de
fazerem o que quiser, como se isso fosse sinônimo de
auto-estima, auto-respeito ou amor-próprio. Não é!
Definitivamente, não é nada disso!
Outro dia, ouvi o seguinte: uma mulher conversando com
uma amiga. Uma estava contando para a outra que havia
reencontrado um ex-namorado, que não via há algum
tempo. Ao que a amiga perguntou “e aí, ficaram
juntos?”. Ela respondeu “não, não... ele está
namorando”. E sabe o que a amiga respondeu, com a boca
cheia e até espantada?!? “E daí?!?”
Gente, espantada fiquei eu. Olha, eu realmente não sou
pudica nem muito menos santa, mas peraí! Cadê as
referências? Cadê os parâmetros? Cadê os corações? Não
estou falando de regras hipócritas, mas de escolhas,
de ética, de valores, de compromisso!!!
Parece que estamos enxergando o mundo como uma imensa
vitrine de doces. Tem vários, um mais apetitoso que o
outro. Diversas opções. Difícil escolher, é verdade! E
se não bastasse o desejo de comer todos, ainda
entramos no conflito de que não queremos engordar;
precisamos manter a forma. Daí, acreditamos que dar
uma mordida em cada um resolve todos as nossas
angústias.
Ou
seja, trazendo a metáfora para os relacionamentos,
existem muitas pessoas interessantes, que beijam bem,
que sabem seduzir e dar prazer... Parece que passamos
a acreditar que temos o direito de experimentar todas.
Um dia cada uma. E, ao mesmo tempo, não queremos
nenhuma. Não assumimos nenhuma.
Sustentamos a falsa impressão de que isso satisfaz
muito mais do que escolher apenas um doce, mas sabemos
– e sentimos! – a real conseqüência desta imprudência:
uma baita dor de estômago e uma “senhora dor de
barriga”. As sensações de solidão, vazio e
incompetência só aumentam.
Não
estou sugerindo que todo mundo deva assumir um
compromisso agora e nunca mais ‘ficar’ com ninguém.
Não se trata de radicalismos ou extremismos. Sugiro
apenas uma reflexão: será mesmo que você não quer
comer doce ou será que quer todos?
Sinto muito em dizer, mas ninguém pode ter ‘tudo’ e o
‘nada’ também não satisfaz! Chega o momento em que
temos de fazer escolhas, porque são elas que nos
permitem amadurecer, evoluir e ser felizes. Minha
sugestão é para que você se comprometa e aponte o doce
que realmente quer. Saboreie-o com calma, sentindo a
deliciosa oportunidade de se comprometer com ele.
Entregue-se a esta escolha e usufrua do sabor peculiar
e imperdível que pode existir no amor...