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31/08/2006
Tabagismo:
amamentação, malformação congênita e doenças
respiratórias em bebês
Autor/Fonte: Dr. Cesar Vasconcellos de Souza
Problemas que o cigarro traz, de mãe para bebê
O American Journal of Public Health (Revista Americana
de Saúde Pública), Fevereiro 2006, publicou um estudo
feito pelo Dr. Jihong Liu da Universidade da Carolina do
Sul, mostrando que as mães que fumam mais do que 10
cigarros por dia após darem à luz podem ser privadas
mais rapidamente de amamentarem seus bebês do que as não
fumantes. Dr. Liu fez a pesquisa no Centro
Norte-Americano para o Controle e Prevenção de Doenças
em Atlanta, Geórgia. Ele e colegas analisaram dados de
mais de 3 mil mulheres e acharam que 91% das novas mães
começaram a amamentar seus bebês, só que 26% delas
tiveram que interromper a amamentação quando eles
estavam com 10 semanas de vida. Isto ocorreu, eles
crêem, por fatores hormonais como a diminuição da
prolactina e da produção do leite materno, também porque
elas estavam preocupadas com as substâncias tóxicas do
cigarro e porque seus bebês choravam mais e tinham mais
cólicas, sintomas encontrados mais frequentemente em
bebês cujas mães fumam. Os pesquisadores recomendam que
as mães sejam orientadas a pararem de fumar na gravidez
e na amamentação para que possam amamentar seus bebês já
que sabemos que o leite materno é a melhor alimentação
para os recém-nascidos.
Um outro estudo feito por Morales-Suárez-Varela MM,
Bille C, Christensen K, Olsen J, entitulado “Smoking
Habits, Nicotine Use, and Congenital Malformations”
(“Hábitos de Fumar, Uso de Nicotina e Malformações
Congênitas” – Obstetrics and Gynecology January 2006;
107:50-57) mostrou que substitutos de nicotina durante
as primeiras doze semanas da gravidez parecem aumentar o
risco de malformações congênitas. Dra. Maria
Morales-Suárez-Valera, da Universidade de Valencia na
Espanha e colegas compararam dados do Danish National
Birth Cohort de 1997 até 2003 com os do Hospital Medical
Birth Registry, que documentam malformações congênitas
no nascimento ou no primeiro ano de vida do bebê.
Segundo o estudo, 76.768 pessoas foram entrevistadas
entre as semanas 11 e 25 da gravidez com relação aos
seus hábitos de fumar e uso de substitutos de nicotina
(chicletes, adesivos ou inalantes) durante as primeiras
12 semanas da gravidez. Deste total, 20.603 mães fumavam
pela ocasião do nascimento dos bebês, enquanto que
56.165 não fumavam. Os autores da pesquisa verificaram a
presença de lesões congênitas nos bebês das mães
fumantes tais como lábio leporino e malformações
digestivas e circulatórias, embora não muito
significativo, porém isto pode refletir um aumento do
número de abortos entre as mães fumantes. Achou-se que
as mães que usaram substitutos da nicotina durantes as
primeiras 12 semanas de gravidez tiveram bebês com mais
defeitos congênitos do que as que não fumavam e não
usaram substitutos da nicotina e do que as que fumavam.
Dra. Morales-Suárez-Varela e seus colegas acreditam que
esta discrepância pode ser explicada pelo fato de que os
substitutos de nicotina podem ser absorvidos por um
caminho diferente e alcançar maiores picos de doses de
nicotina comparados com fumar cigarros.
Outra pesquisa científica avaliou durante dois anos os
efeitos sobre 4089 bebês e crianças até dois anos de
idade expostos em ambiente de fumantes de cigarros.
Quando os bebês completaram dois meses de idade os pais
responderam um questionário com perguntas sobre aspectos
gerais do estilo de vida incluindo hábitos de fumar da
mãe na gravidez e após o nascimento da criança. Quando
as crianças completaram um ano e dois anos de idade
foram dados novos questionários com perguntas sobre
alergia respiratória, exposição ambiental à substâncias
tóxicas, especialmente exposição à fumaça do tabaco. Os
resultados mostraram que quando as mães haviam fumado
durante a gravidez porém não após, houve um aumento do
risco de dificuldades respiratórias nas crianças
repetidas até aos dois anos de idade. O mesmo foi
encontrado em crianças cujas mães não fumaram mas
tiveram seus filhos expostos à ambiente de fumantes.
Mães que fumaram durante a gravidez também tiveram seus
filhos com aumento de asma até os dois anos de idade
comparados com crianças cujas mães não fumaram e não
foram expostas a ambiente de fumantes. (Respir. Res.
2006 Jan 5;7(1):3 Lannero E, Pershagen G, Wickman M,
Nordvall L.).
Fonte: Portal Natural
Site: www.portalnatural.com.br |
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