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30/10/2006
SEU SONO, SUA SAÚDE
Dormir na companhia de bilhões de ácaros é uma das
muitas coisas essenciais que você pode fazer sobre seu
colchão. Passamos cochilando por 1/3 da nossa vida -
algo como 25 anos inteiros. Não é à toa que os
cientistas investem um bocado de tempo e dinheiro para
desvendar por quê, como e quanto dormimos.
O quanto dormimos é uma coisa, tipo assim, depende,
entende? A maioria dos adultos precisa de 7h de sono por
noite, outros se satisfazem com apenas 5h. Crianças e
adolescentes precisam de um pouco mais: 9 a 10h. Mas o
fato é que o número ideal de horas de sono varia de uma
pessoa para a outra e até mesmo em uma mesma pessoa,
dependendo do dia, da fase da lua e da quantidade de
dívidas no final do mês.
Tão ou mais importante que a quantidade é a qualidade
das horas que você passa dormindo. Um sono ruim abre as
portas para uma série de problemas de saúde e dificulta
o tratamento de outros tantos. Os Distúrbios do Sono,
como são conhecidas estas alterações, abrangem mais de
85 distúrbios diferentes, dos quais a Insônia, o Ronco,
a Apnéia do Sono e a Síndrome da Privação do Sono são os
mais conhecidos.
A Insônia afeta uma em cada 3 pessoas e pode triplicar o
risco de mortalidade em idosos. O Ronco está presente em
45% das pessoas e é considerado um dos principais
motivos que levam jovens casais a morar em apartamentos
de 2 quartos. Mas é a Apnéia do Sono o distúrbio mais
estudado nos últimos anos.
A Apnéia do Sono, caracterizada por períodos de ausência
de respiração enquanto você dorme, pode afetar
seriamente seu organismo. Por exemplo: de cada 10
pessoas que sofrem deste distúrbio, 4 desenvolvem
Hipertensão Arterial. Essas pessoas também possuem um
risco 15 vezes maior de se envolverem em acidentes
automobilísticos. O motivo: uma hora e meia de sono de
má-qualidade significa uma redução de 32% no nível de
atenção durante o dia - e uma grande probabilidade de
ter que chamar sua Seguradora no meio do trânsito.
De um modo geral, a Insônia, o Ronco e a Apnéia deságuam
na chamada Síndrome da Privação do Sono. Sabe aquele
sujeito que acorda apenas quando o alarme está ficando
rouco, passa o dia sentindo um cansaço irritante e vai
dormir com dores de cabeça que nunca melhoram? Ele pode
estar sofrendo de Síndrome de Privação do Sono e ainda
nem acordou para o problema.
Uns poucos dias de Privação são suficientes para que o
corpo reaja como se tivesse envelhecido vários anos: o
raciocínio torna-se lento; a memória, incerta; o
metabolismo se altera, a capacidade de concentração e a
resistência para atividades físicas caem, e o sistema de
defesa ameaça tirar férias. Se a Privação persistir,
podem ocorrer infecções de repetição, alterações
cardiovasculares e até mesmo diabetes. Então tá. Um bom
sono é essencial para sua saúde, mas como fazer para
manter a boa saúde do seu sono? Além de tudo aquilo que
você está careca de saber (praticar exercícios
regularmente, levar uma alimentação saudável, evitar o
excesso de peso, não fumar, e blá blá blá), existem
algumas orientações específicas bastante úteis:
- Beba uma xícara de leite ou chá de camomila: o leite é
rico em triptofano, um aminoácido capaz de produzir um
relaxamento ideal antes do sono. A camomila é um
fitoterápico com propriedades calmantes.
- Tome um banho morno. Ele amacia o corpo e espanta as
moscas.
- Durante a noite, nada de filmes tensos, luzes
oscilantes (como as da TV), refeições pesadas e bebidas
alcoólicas ou ricas em cafeína, tais como café e
refrigerantes à base de cola.
- Pelo amor de São Firmino do Sono da Santa Pluma:
compre um bom colchão! Você passará mais tempo nele do
que no sofá da sala ou dentro do armário da cozinha.
- Tenha um horário fixo para levantar e deitar. E
espreguice bastante.
- Cuidado com o que leva para a cama: pijamas,
travesseiros, o controle remoto da TV e uma boa
companhia estão permitidos. Problemas? Nem pensar:
tranque-os à chave do lado de fora de casa.
- Se você dorme acompanhado(a), faça um acordo: primeiro
você faz uma massagem nas costas dele(a) e depois ele(a)
faz em você. O truque é ser sempre o segundo na fila.
Assim você poderá dormir completamente em paz, enquanto
o outro fica acordado.
- Se não estiver dormindo 20 minutos após deitar-se,
levante e faça algo entediante para chamar o sono. Leia
o caderno de política, assista à fita do seu casamento
ou ligue a TV em um daqueles documentários que passam
meia hora mostrando o mesmo hipopótamo na lama. Quando
estiver quase cochilando, largue tudo, desligue a TV e
afunde no travesseiro.
Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor, palestrante,
autor de “Vida e Saúde da Criança” e “Crianças em forma:
saúde na balança” (www.editoranatureza.com.br) e
colunista do jornal Estado de Minas. Atualmente reside e
clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Fonte:
http://br.groups.yahoo.com/group/saudeparatodos/
© Dr. Alessandro Loiola
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alessandroloiola@yahoo.com.br
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