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13/11/2006
O impulso
sexual faz parte da natureza humana.
Ainda
assim, a manifestação sexual nem sempre foi aceita ou
exercida livremente. Em muitos grupamentos humanos havia
fortes preconceitos religiosos, culturais ou sociais.
Historicamente, há inúmeros exemplos de formas
procuradas pelos homens e mulheres para fugir à
repressão. Desde as primeiras civilizações, foram
cultuados deuses e deusas da fertilidade e celebrados
eventos que, freqüentemente, encobriam a liberação
sexual. Aliás, foi desta liberação - e da promiscuidade
de sua prática - nos templos de Vênus, a "deusa do
Amor", que se tirou a anterior denominação "doenças
venéreas", transformando-a nas hoje conhecidas "doenças
sexualmente transmissíveis" Por outro lado, ao longo dos
séculos, a prostituição pública/comercial sempre foi
exercida e tolerada mais ou menos abertamente, sob todos
os regimes políticos e em quaisquer sistemas econômicos.
Tanto que, até décadas atrás, a iniciação sexual dos
rapazes tanto em grandes centros urbanos como em
localidades menos desenvolvidas era feita,
tradicionalmente, com prostitutas ou com a empregada.
Sob os
pontos de vista moral e religioso, as DST sempre foram
estigmatizadas por um ranço de sujeira e de pecado. Mas,
em determinadas circunstâncias, uma "doença venérea" era
encarada como expressão de "valor" masculino. Até
recentemente, em certos grupos, o fato de ser portador
de uma DST (em particular gonorréia, cancro-mole) era
visto como prova de virilidade. Seus portadores se
"gabavam" de contaminar outras pessoas com sua
"impureza". Com o advento da AIDS e a multiplicação das
informações sobre as complicações associadas à infecção
pelo HPV (o vírus da condilomatose humana), mudaram os
sentimentos das pessoas contaminadas. Se até o início da
década de 80, as DST constituíam "evidências de pecado",
hoje são sinônimos de ameaça mortal.
Surgiu
então um intenso e generalizado temor que angustia a
todos. Junta-se a isto a desinformação sobre o assunto
na população e na midia. Esta nova versão da antiga
repressão sexual, incrementada por certa mídia
(interessada em explorar a hipocondria de todos nós) e
por movimentos que, sob o rótulo de "educação sexual",
estão promovendo um verdadeiro massacre no que diz
respeito à sexualidade de toda uma geração.
Sexo
tornou-se, assim, mais que um risco - uma ameaça. Para o
portador de DST, além de afetar negativamente sua
auto-estima (e portanto seu desempenho sexual), a
"doença sexual" pode abalar profundamente seus vínculos
afetivos. Ao constatar que tem uma DST, a pessoa passa
por várias fases, caracterizadas por sentimentos em
relação ao parceiro (a). Esses sentimentos variam em
função da personalidade, da natureza do relacionamento e
da intensidade dos laços afetivos. Variam, também, se a
pessoa se infectou num relacionamento ocasional ou num
casal formal ou informalmente constituído.
Mas o
padrão geral dessas reações segue um roteiro mais ou
menos uniforme:
-
Inicialmente, surge a dúvida (e a negação) sobre a
etiologia da infecção e a forma de transmissão. O
portador (ou portadora), de início, não consegue
aceitar o diagnóstico, em especial nos casais (hetero
ou homossexuais) instituídos. Fabula-se, então, sobre
a possibilidade de contágio em banheiros, através de
roupas, etc.
- Pouco
a pouco, conforme vai ficando patente a ‘traição’, a
pessoa contaminada vai desenvolvendo uma intensa
raiva, que pode mesmo abalar o vínculo da união, não
sendo raras as separações. A seguir, dependendo de
quem ‘traiu’ ou "foi ‘traído’, o desfecho pode variar.
Num mundo machista, se a parte que "prevaricou" foi a
mulher, o fato reveste-se social e emocionalmente de
maior gravidade.
No
casamento ou na relação estável, o uso do preservativo
dá lugar a reações ambíguas. A primeira é a desconfiança
quanto ao comportamento sexual do parceiro(a), porque a
camisinha está associada a práticas sexuais com
prostitutas, a "casos" ou às clássicas "relações
extraconjugais". Assim, utilizar ou exigir que o
parceiro(a) use camisinha é sempre difícil,
especialmente quando o relacionamento está numa fase
inicial e as pessoas ainda não se conhecem bem a ponto
de preverem a reação do(a) outro(a).
Nesta
época da AIDS ouvimos sempre que temos de informar
melhor as pessoas, prover camisinhas e dar palestras
para grupo de risco e estimular abstinência. É isto que
fala o Governo, autoridades de saúde, Organizações
Não-Governamentais (as ONGs), professores nas escolas.
Os pais acabam repetindo isto em casa. Será que
mudaremos o comportamentos com isto. A verdade que até
agora tem sido pouco o nosso sucesso nesta batalha.
Qual a solução para a transmissão sexual
Abstinência é advogada por certos grupos? Sem dúvida;
funciona para uma pequena minoria da população, só que
não terá impacto social nenhum. Em outras palavras não é
uma solução realista. Temos oferecer alternativas numa
cultura aonde é alto nível da sexualidade (impulsividade
sexual) e uma atitude forte de machismo.
Como a
transmissão sexual é feita no nivel individual e na
intimidade, as ações terão de ser feitos neste nivel.
Isto não tem receitas prontas. Cada um tem de refletir
sobre sua sexualidade e assumir as responsabilidades
lembrando que:
1. O sexo
tem conseqüências no plano emocional, envolve a
reprodução humana e pode provocar doenças;
2. Tendo sexo ativo quer dizer que a pessoa já faz parte
de um grupo com comportamento de risco;
3. O tamanho do risco depende principalmente de você.
Para isto você tem de:
-
Aprender mais sobre as DSTs;
-
Praticar e ter o hábito do sexo seguro;
- Abolir
os mitos errôneos que existem na cultura local sobre
sexualidade;
-
Aprender e treinar a negociar com parceiro dentro dos
seus valores sobre o uso da caminha e tipo de
práticas.
Em outras
palavras, vamos falar um SIM para o sexo com os
parceiros da sua escolha, na hora que você quiser, só
que com uma responsabilidade própria e social. Faça
disto um assunto de debate com seus amigos e parceiros.
Núcleo de
Epidemiologia - Hospital Evandro Chagas |
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