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  Sexualidade    <+Artigos  
  20/11/2006

Tantra - Outra visão da vida e da sexualidade

TANTRA – Definição: Filosofia comportamental naturalista. Surgida em uma região que hoje é conhecida como Índia há mais de 5000 anos, no berço de um povo chamado drávida. Nesta sociedade primitiva não guerreira, a mulher foi valorizada e divinizada, pois ela era capaz de um milagre que o homem não compreendia e não podia reproduzir: dar a vida a outro ser humano, e ainda alimentá-lo em seu seio. Isto define as três características principais do Tantra:

- a primeira é sua qualidade matriarcal: dá a luz pelo seu ventre e alimenta com o seu seio,
- a segunda é a qualidade sensorial, e como conseqüência,
- a terceira qualidade desrepressora.

Outras qualidades do Tantra: ser amoral e sugerir um prazer conceitual.


A MULHER, CAMPEÃ ERÓTICA

Por que as filhas de Eva, nossas companheiras, se pretendem mulheres, e não fêmeas, enquanto o homem fica muito orgulhoso de ser macho? Sem dúvida porque, sexualmente, a mulher é uma exceção e, como tal, não é comparável às fêmeas animais, enquanto o homem se comporta, afora alguns detalhes, como todos os machos do planeta.

Todas as fêmeas, sem exceção, tem períodos de cio bem marcantes, inclusive as primatas. É algo único na natureza que a mulher ignore o frenesi do cio. O estro na mulher, sinal de ovulação, quase desapareceu. Tomando como exemplo uma fêmea primata, a ovulação a deixa excitada por uma dezena de dias, nos quais ela copula com diversos machos, dando mostras de um intenso prazer. A conseqüência inevitável desta maratona, cuja única finalidade é a procriação, é a gravidez. A partir de então, nada de sexo antes de dois ou três anos se passarem, o que reduz a sua vida sexual a alguns interlúdios semanais durante toda a sua vida.

A mulher é a campeã do sexo. Pode ser sempre excitada, fisicamente, ela pode fazer amor todos os dias, durante toda a sua vida adulta, mesmo quando está grávida. Sua vida sexual recomeça alguns dias depois do parto. Nenhuma fêmea, de espécie alguma, copula neste ritmo.

Na natureza, a mulher é o único caso de dissociação hormonal quase total entre eros e a procriação: enquanto a reprodução se realiza nos ovários, que secretam os hormônios femininos, são as supra-renais que destilam o pouco hormônio masculino necessário para excitar o centro do desejo, em algum lugar do cérebro feminino.

O processo do orgasmo se diferencia no homem e na mulher: ele tem 3 a 4 contrações maiores seguidas de outras de menor intensidade e todas na região genital. Depois, ele se desinteressa pelo sexo e o sangue deixa a área. Ela tem 5 a 8 contrações principais seguidas de 9 a 15 secundárias, que irradiam por toda a bacia. Longe de estar terminado, para ela o sexo recém começou. Ao contrário de homem, não há descongestionamento dos órgãos genitais, podendo viver, quase que imediatamente, novos picos de prazer. De fato, quanto mais orgasmos uma mulher tem, mais orgasmos ela pode ter, e mais eles se intensificam. Somente o controle ejaculatório restabelece o equilíbrio. Assim sendo, como em tudo o mais, é normal educarmos nossa sexualidade específica, tão diferente da pulsão animal bruta. A intensidade sexual máxima possibilitada pela fisiologia é desejada, visto que está inscrita em nossos genes, e legítima, desde que sem drogas nem artifícios contra a natureza.

Nossa sexualidade é influenciada ainda de outra forma pela bipedia, que deixa o sexo visível. A posição da bacia favorece o amor face-a-face, prerrogativa humana, que permite trocas bem mais pessoais e intensas. O Tantra a evita, a princípio, porque o controle ejaculatório está muito associado à posição usual. O descondicionamento é facilitado com a adoção de outra posição, mas não há exclusão dela.

O RITUAL TÂNTRICO

A libido cósmica é o dinamismo fundamental da criação: o universo nasce do desejo, como todo o ser vivo. Desejo e gozo acompanham todo o ato criativo.

As visões tântricas e científicas, longe de se excluírem, se completam. O homem moderno criou um abismo entre seu universo tecnológico artificial e a natureza, entre suas abstrações intelectuais e a vivência real. Sob o pretexto de desmistificar o intelecto também dessacralizamos. Tudo fica muito prático quando nada mais é sagrado, nem mesmo a vida: nada mais impede de pilhar recursos naturais e pessoas, em todos os níveis.

Para o Tantra, toda mulher, por mais comum que seja, encarna a Deusa, é a Deusa, a Mulher-Absoluta, a Mãe Cósmica. Perceber concretamente o aspecto divino de cada mulher é uma condição prévia para o maithuna, e o ritual tântrico que precede essa união sexual sagrada se destina a levar a perceber essa realidade.

O ritual tântrico propõe um caminho chamado Caminho do Vale, que é o mais fácil, pouco movimentado e baseado no relaxamento físico e mental. Ele nos abre para um mundo de sensações e experiências desconhecido, gera uma plenitude prolongada e a integração total entre dois seres.

O ato sexual ritualizado é uma experiência divergente. No homem comum o ato sexual é uma experiência convergente no tempo, a aceleração dos movimentos e o breve momento de prazer da ejaculação, e convergente no espaço, pois sua vivência é investida numa zona mais reduzida, a genital. Para o tântrico o maithuna é uma experiência divergente, do tipo feminina. De fato, na mulher, a vivência sexual, longe de se limitar à vagina e ao pênis que ela encerra, ultrapassa progressivamente a esfera genital, se difunde por todo o corpo e quando vem o orgasmo, ele envolve cada fibra do seu corpo, primeiro a sua carne e depois todo o seu ser-espaço. O êxtase tende a se intensificar, a se prolongar- no tempo. Essa experiência difusa é também a do tântrico, que não copula com uma vagina, mas se une a um ser total, à mulher física, psíquica e cósmica. O homem participa do seu desejo e da sua emoção erótica, percebendo assim o ser secreto da mulher, sem procurar se apropriar do seu corpo e de seu sexo.

O Caminho do Vale implica em imobilidade relativa, com movimentos pouco amplos e controlados para ambos, sendo que apenas um é ativo de cada vez, e sendo a mulher mais ativa. Nas fases de imobilidade a mulher pode usar a "linguagem secreta", os movimentos conscientes e controlados de sua vagina.

No maithuna, união tântrica, o homem evita tudo o que possa provocar a ejaculação. A mulher é ativa e dá o tom. É indiferente se a ereção se mantém ou não durante todo o ato, basta poderem ficar unidos. As posições devem ser escolhidas de acordo com os seguintes critérios: conforto, para que a permanência possa ser longa, permitir relaxamento físico e mental, favorecer as trocas energéticas (prânicas) e facilitar o controle seminal. A posição predileta (condicionada) também é desaconselhada.

O MULA BANDHA

A prática básica é o mula bandha: contração dos esfincteres de ânus e da uretra. Como os músculos do ânus (esfincteres externo e interno do ânus) são solidários, graças ao mula bandha, durante as contrações, percebemos que elas vão além da região anal e que se propagam a todos os músculos do pênis. O exercício pode ser praticado em qualquer momento, lugar e posição. No começo, assim como para a mulher, todo o complexo muscular reage em bloco. Depois, com a concentração e a prática perseverante, consegue-se – objetivo importante – dissociar os músculos do linga dos músculos do ânus e do reto. Isolar e contrair e depois relaxar à vontade. Aqui a prática de Shiva difere da Shaktí que não tem de inibir a ejaculação: ela se limita a desenvolver e controlar a sua musculatura vaginal. Um dos procedimentos para inibir a ejaculação é relaxar imediatamente esses músculos assim que se percebe a aproximação do ponto limite.

Outro exercício de controle para o homem é tomar consciência dos músculos da bolsa escrotal e exercitar contrair e relaxar, levatando e baixando as bolsas. Nos instantes antes da ejaculação elas são levantadas, ficando mais próximas do linga, assim como um gatilho armado, aprender a desarmar é o objetivo.

Os testículos se conservam melhor em temperatura mais fria que o corpo (3 graus centígrados abaixo da temperatura corporal) razão pela qual estão fora do corpo. Os homens, mais do que as mulheres, é que deveriam usar saias! Roupas apertadas nunca. O exercício mínimo cotidiano é a ducha escrotal, tão fria quanto for possível, precedida com uma fricção de luva de crina. A ducha de mão serve para isso e não hesite em colocar pressão na água. O banho de assento também é muito eficaz. Viva o frio que estimula a produção hormonal das gônodas, cujo papel é fundamental para a saúde e a juvenilidade do corpo.

Outro exercício consiste em urinar com intervalos de dois segundos: soltar-reter-soltar-reter e nos períodos de retenção, fazer um enérgico mula bandha. Esta prática regular ajuda o controle ejaculatório. Para afastar-se da zona limite, evitando assim a ejaculação, deve-se contrair ao máximo os músculos com o mula bandha e depois relaxar ao máximo.

Se o Shiva observar seu próprio comportamento reflexo à aproximação da ejaculação, ele perceberá, além da alteração do ritmo e da amplitude da respiratório, uma forte tensão nos músculos das nádegas, do ventre, do baixo dorso e do pênis. Se se deixar levar, como de hábito, vem a ejaculação, do qual todos os músculos participam. Então, para retardá-la ou impedi-la, é preciso, com a aproximação do ponto limite, controlar a respiração e concentrar-se em todos os músculos e relaxá-los. A respiração consciente, lenta e profunda, com inspirações lentas, relaxando-se a parede abdominal e as nádegas, são extremamente eficazes.

As mulheres devem exercitar seus músculos vaginais para que sejam flexíveis, fortes e descontraídos. O nome sânscrito desta técnica é Sahajolí, e se baseia no Mula Bandha. Graças a esse exercício energético, a mulher sentirá que as reações vão além do ânus, chegam ao períneo, a vulva, ao clitóris, à vagina e até mesmo ao útero. Isso é normal, porque os esfíncteres da entrada da vagina e os do ânus formam como que dois anéis de um oito: contrair um deles é também interferir no outro.

O papel dos músculos da vagina é o da constrição, como em todos os órgãos ocos. Durante o orgasmo, a constrição ondulatória e rítmica que percorre a yoní provoca sensações voluptuosas que se propagam ao linga. Este mesmo exercício pode ser feito com um acessório( pode ser um vibrador, um aplicador de creme vaginal do tipo que acompanha estes medicamentos, ou outro objeto adaptado) que funciona como os halteres em preparo física, cujo peso fortalece os músculos. Para fortalece-lo é preciso: distendê-lo e oferecer resistência a ele. As contrações somadas à concentração mental, provocam um rico afluxo de sangue e de energia aos órgãos genitais: excente para o equilíbrio hormonal do sistema genital, do qual todo o organismo se beneficia.

O exercío feito com o "bambolê", brinquedo antigo das meninas, trabalha combatendo nódulos celulíticos nas coxas, combate a constipação intestinal e combate ainda a incontinência urinária, sendo mais um tipo de exercício indicado.

O CORPO, UNIVERSO DESCONHECIDO

Para o Tantra o corpo é mais do que um maravilhoso instrumento ou admirável mecânica biológica: ele é divino.

Para compreender o Tantra é preciso realizar que:

- o corpo real é um universo de extraordinária complexidade, cuja vida secreta é totalmente desconhecida;
- que o corpo vivenciado é uma simples imagem, um esquema, uma construção mental, único aspecto que conhecemos;
- corpo é produzido e animado por uma inteligência criadora, a mesma que suscita e preserva o universo, da mais ínfima partícula subatômica à mais gigantesca das inúmeras galáxias;
- corpo abriga, em suas profundidades ocultas, potencialidades insuspeitas, energias extraordinárias, cuja maioria permanece latente no homem comum, mas que a prática tântrica desperta.

Na vida prática não fazemos distinção entre objeto-real e objeto-imagem, mas quando nos referimos a nosso próprio corpo, é diferente: eu o sinto; logo, ele sou "eu", não? É isso o que se costuma pensar, pois é natural que, de certa forma, se subtraia o próprio corpo do mundo exterior: de um lado há minha mente e o "eu", associados ao corpo, e, de outro, "fora", há todo o resto, a multidão de seres e coisas. Assim, artificialmente, isolo meu corpo do resto do mundo, enquanto ele é um agregado de átomos tão materiais e banais quanto os de todos os objetos do mundo exterior com o qual estou em contínua relação de troca: diariamente absorvo moléculas de ar, de alimento e rejeito outro tanto. Meu corpo é um edifício que mantém sua forma enquanto seus tijolos são trocados incessantemente. Na realidade, meu corpo, embora material, é um lugar privilegiado do espaço onde "eu" estruturo matéria, onde construo esse corpo humano. "Eu" entre aspas significa que não é
meu eu pequeno, mas sim a Inteligência Superior do meu corpo que o suscita e o mantém.

Uma das finalidades do Tantra consiste em estabelecer uma relação consciente e confiante entre o eu empírico e a Inteligência Superior do corpo. Para me adaptar melhor a essa sabedoria suprema do corpo-real, devo desenvolver meu corpo-vivenciado, enriquecer meu esquema corporal. Eu manipulo meu corpo-real através do meu corpo-imagem e vice-versa. Para isto é preciso que observemos nosso corpo, interiorizando-nos para estar a escuta do corpo, colher o máximo de sensações para se tornar cada vez mais conscientes delas.

A primeira etapa do ritual tântrico consiste em meditar sobre a "divindade" corporal do (ou da) parceiro (a) e a sua própria. Quando os sexos se unem, essa relação é vivida como um acontecimento prodigioso, sagrado, envolvendo o conjunto das duas repúblicas celulares constituídas de bilhões de indivíduos.

Mas fora, verdadeiramente "fora" o que é que existe? Vejamos, inicialmente, o que é que não existe. Fora não há luz, nem cores, nem sons, nem odores, nem calor e nem frio. É claro que fora há fótons, grãos de luz guiados por ondas; mas a claridade, as cores, são
fenômenos interiores, mentais. Fora o ar vibra, mas os sons nascem e existem apenas na mente. Fora há substâncias odoríferas, mas o perfume é mental. É verdade que a idéia de um mundo exterior, apesar de absolutamente real, seja desprovido de cores, seja silencioso, sem odores, desconcerta a princípio. É estranho pensar que, fora, não reina sequer a escuridão, mas a ausência de luz, apenas isso. Quando realizamos que o menor objeto-real exterior é de uma excepcional complexidade, que ele é um poderoso campo de força, a visão de mundo e a relação com ele balançam de imediato, as fronteiras entre os seres e os objetos se dissolvem e eles se tornam nuvens de energia, campos de força. Meu corpo também, por detrás de uma aparente imutabilidade relativa, abriga um processo, um evento considerável. Como parcela do cosmo em movimento, ele muda a todo instante. Sua essência é um dinamismo inteligente que a tudo se vincula. Sob este prisma, o ato sexual é vivido de modo totalmente diferente do modo comum, profano. No Tantra, não é o Senhor que "faz" amor - mais ou menos bem - com a Senhora; são duas repúblicas de células, dois universos que se encontram. Gozar torna-se um sub-produto não-essencial. Ao invés de estar centrado em seu prazer egoísta, cada um se abre para o universo corporal do outro e para o seu próprio. O orgasmo não é negado, mas não tem importância real para ambos.

"Quando a experiência acontece em toda a sua amplitude, explode num feixe de centelhas, as mais longínquas das quais são as estrelas".

A MULHER, SEU CULTO E SEU MISTÉRIO

O culto que o Tantra devota à mulher ultrapassa tudo o que reivindicam os movimentos de liberação feminina: deusa-mãe, iniciadora, origem de toda a vida, fonte de prazer, caminho para a transcendência.

A mensagem do tantra concerne tanto ao homem quanto à mulher. Ela também deve mudar a sua atitude perante o seu próprio mistério. O seu verdadeiro mistério é a vida. A mulher faz a criança e não apenas a deixa crescer dentro de si: a criação.

O mistério da mulher não se limita a seu sexo, mas impregna todo o seu ser, inclusive e principalmente o seu psiquismo, a mulher é intuitiva, sensitiva, conhece o segredo da vida, da saúde, das plantas e das flores.

A mulher-deusa-mãe está presente no regime matriarcal (de mãe para filha). Quando o regime passa a ser patriarcal (de pai para filho) surge a necessidade de derrubar a mulher de sua posição natural. Existe um ditado que diz "Quando um pai diz meu filho, isso é fé; quando uma mãe diz meu filho, isso é conhecimento". O homem deve apropriar-se da mulher e de seu sexo, através de formas de cárcere físicos e sociais, além de castigos. A civilização ocidental destrói a mulher-deusa-mãe e a mulher que surge é apenas uma aparência, uma imitação que é desposada por um homem que casa, assim, com seu espelho - mais bonito.

Embora no sistema patriarcal os biceps "dominem", estudos demonstram que a estrutura orgânica e cerebral fundamental nos mamíferos foi primeiro feminina e só depois masculina. Quando o feto não recebe estímulos hormonais ele sempre evoluirá para a forma feminina. No início de desenvolvimento embrionário, as gônadas masculinas e femininas são análogas e muito semelhantes. É a injeção de uma quantidade do hormônio andrógeno – ignoramos o que o comanda – que desencadeia uma reação que culmina na formação de um macho. Um ponto capital para o Tantra é que os circuitos femininos não são desativados.

Nossa cultura atual inculca no homem que a virilidade requer ausência de emoções. Ele é orientado para se comportar de modo militar, para reprimir qualquer emoção, para ignorar as mensagens do corpo. O Tantra propõe valores femininos para homens e mulheres como amor, afeto, relações humanas verdadeiras, contato com a natureza e a vida. E as crianças. São também femininos a música, a dança, a poesia e a literatura, aquilo que nos contata o racional e o irracional.


A OUTRA VISÃO DO SEXO

No regime patriarcal, no ato sexual, o papel ativo cabe ao homem. Séculos de dominação fazem com que a mulher aceite esse papel passivo normalmente e se acomode. O homem, fica satisfeito, ou mais provavelmente, dá-se por satisfeito.

O Tantra, em seu ritual, não é sexo banal, mas o adepto tântrico deve poder satisfazer o outro, mesmo em um enlace normal. Aliás, a união tântrica só é possível entre parceiros capazes de relações sexuais comuns desenvolvidas.

No sumário dos tratados sexuais figura o inevitável capítulo sobre o "prelúdio" com suas técnicas mais ou menos requintadas. No Tantra, o verdadeiro prelúdio consiste em criar uma relação íntima, psíquica e física, em estabelecer uma harmonia profunda. Para isto cada um se infunde da personalidade do outro, da sua presença enquanto ser total e se infunde do seu sexo – que não é sinônimo de órgãos genitais. Em geral, essa abertura para o outro basta, sem o menor gesto erótico, para criar um contato sutil.

A nossa sexualidade se manifesta de forma dupla: possuímos um pólo indivíduo, que é a sede da individualidade e do eu consciente, e um pólo espécie, localizado em nossos órgãos genitais, responsável pela procriação.

O Tantra, através do maithuna, ato sexual ritualizado, utiliza as duas, com uma nítida preferência pela que não é puramente animal, reprodutiva.

A fisiologia confirma a tese tântrica: há um centro da sexualidade cerebral, o pólo indivíduo é localizável e localizado! É também o da felicidade e do êxtase. Esta zona é chamada de "paraíso". O paraíso é estimulado pelo hormônio sexual produzido no pólo espécie (não há resposta no paraíso em animais castrados).

No maithuna tântrico, a poderosa e prolongada excitação no pólo espécie estimula as gônodas e intensifica a produção de hormônios masculinos indispensáveis à ativação máxima do paraíso. O Tantra quer que seus adeptos alcancem o êxtase total, aquele que funde a experiência orgástica do pólo espécie, nossa grande central energética, e o êxtase cerebral do pólo indivíduo, cada qual alimentando e estimulando o outro. Por isso, o Tantra excita a zona genital de forma consciente e controlada. Na linguagem metafórica do Tantra são as núpcias secretas de Shaktí – a energia e de Shiva – a consciência.


O DOMÍNIO SEXUAL

Para a grande maioria dos homens, o orgasmo e a ajaculação são a mesma coisa, enquanto que o Tantra sabe que é justamente a ejaculação que afasta o homem do orgasmo. O Tantra promete ao homem uma potência sexual ilimitada, ereções prolongadas e diversas relações sexuais por dia, sem nunca deixar de desejar a sua Shaktí. Esse programa o seduz... tanto quanto à sua parceira, mas ao tomar conhecimento do que vai lhe custar – renunciar à ejaculação – o sorriso desaparece ... O enredo clássico nos parece tão natural... o impulso sexual se enraíza na irresistível pulsão da espécie que quer sobreviver, portanto, procriar, ejacular. Esse comportamento, implantado em nossos genes, é reforçado pela educação.

A solução tântrica é de uma simplicidade genial: prolongar a última faixa, a mais intensa e interessante e, para isso inibir o espasmo. Para um Shiva tântrico a arte suprema consiste em manter-se indefinidamente no ponto limite: isso lhe dá acesso ao "paraíso sexual cerebral" e ao verdadeiro orgasmo masculino.

O que permite o afluxo de sangue que enrijece o pênis é o relaxamento. Os impotentes e os supostamente impotentes (a maioria) são no máximo ansiosos. Eles devem relaxar e praticar respiração lenta e profunda. Há duas condições necessárias, aparentemente contraditórias, para a visão tântrica: ereção possante e prolongada à vontade e por outro lado, evitar que esta intensidade faça ejacular.

O jogo sexual depende de três grupos nervosos distintos:

- um deles mantém o vínculo sensório-motor entre o sexo e o cérebro;
- outro, o parassimpático, provoca e mantém a ereção;
enfim, o simpático, é o responsável pela ejaculação.

Sabendo que a ereção depende do jogo do parassimpático, aquele que reduz o fôlego e os batimentos cardíacos, dilata os vasos, etc, constatou-se que a impotência e a ejaculação precoce têm um ponto em comum: a superexcitação do simpático, devida à ansiedade. Conclusão tântrica para corrigir a impotência, é preciso acalmar o simpático e para controlar a ereção e impedir a ejaculação, precoce ou não, é preciso estimular o parassimpático. Como fazer isso na prática:

- para acalmar o simpático: reduzir os batimentos cardíacos, dilatando os vazos; usar movimentos ritmados e harmoniosos.
- para ativar o parassimpático: controlar o fôlego, ficar consciente, respirar lenta e profundamente, movendo o abdômem. Esse regime respiratório se estabelece desde o preludio e se mantém durante toda a relação.

A prática de certos exercícios garantem ereções mais vigorosas e longe de esgotar a energia física ou psíquica, exalta-as. Objetivos: tomar consciência do complexo muscular genital em seu conjunto, fortalecê-lo e aprender a isolar e contrair-descontrair separadamente estes músculos. Os músculos genitais dos dois sexos são muito semelhantes e até homólogos. Portanto, é normal e lógico aconselhar mais ou menos os mesmos exercícios para Shiva e
Shaktí.


O MULA BANDHA

A prática básica é o mula bandha: contração dos esfincteres de ânus e da uretra. Como os músculos do ânus (esfincteres externo e interno do ânus) são solidários, graças ao mula bandha, durante as contrações, percebemos que elas vão além da região anal e que se propagam a todos os músculos do pênis. O exercício pode ser praticado em qualquer momento, lugar e posição. No começo, assim como para a mulher, todo o complexo muscular reage em bloco. Depois, com a concentração e a prática perseverante, consegue-se – objetivo importante – dissociar os músculos do linga dos músculos do ânus e do reto. Isolar e contrair e depois relaxar à vontade. Aqui a prática de Shiva difere da Shaktí que não tem de inibir a ejaculação: ela se limita a desenvolver e controlar a sua musculatura vaginal. Um dos procedimentos para inibir a ejaculação é relaxar imediatamente esses músculos assim que se percebe a aproximação do ponto limite.

Outro exercício de controle para o homem é tomar consciência dos músculos da bolsa escrotal e exercitar contrair e relaxar, levatando e baixando as bolsas. Nos instantes antes da ejaculação elas são levantadas, ficando mais próximas do linga, assim como um gatilho armado, aprender a desarmar é o objetivo.

Os testículos se conservam melhor em temperatura mais fria que o corpo (3 graus centígrados abaixo da temperatura corporal) razão pela qual estão fora do corpo. Os homens, mais do que as mulheres, é que deveriam usar saias! Roupas apertadas nunca. O exercício mínimo cotidiano é a ducha escrotal, tão fria quanto for possível, precedida com uma fricção de luva de crina. A ducha de mão serve para isso e não hesite em colocar pressão na água. O banho de assento também é muito eficaz. Viva o frio que estimula a produção hormonal das gônodas, cujo papel é fundamental para a saúde e a juvenilidade do corpo.

Outro exercício consiste em urinar com intervalos de dois segundos: soltar-reter-soltar-reter e nos períodos de retenção, fazer um enérgico mula bandha. Esta prática regular ajuda o controle ejaculatório. Para afastar-se da zona limite, evitando assim a ejaculação, deve-se contrair ao máximo os músculos com o mula bandha e depois relaxar ao máximo.

Se o Shiva observar seu próprio comportamento reflexo à aproximação da ejaculação, ele perceberá, além da alteração do ritmo e da amplitude da respiratório, uma forte tensão nos músculos das nádegas, do ventre, do baixo dorso e do pênis. Se se deixar levar, como de hábito, vem a ejaculação, do qual todos os músculos participam. Então, para retarda-la ou impedi-la, é preciso, com a aproximação do ponto limite, controlar a respiração e concentrar-se em todos os músculos e relaxá-los. A respiração consciente, lenta e profunda, com inspirações lentas, relaxando-se a parede abdominal e as nádegas, são extremamente eficazes.

As mulheres devem exercitar seus músculos vaginais para que sejam flexíveis, fortes e descontraídos. O nome sânscrito desta técnica é Sahajolí, e se baseia no Mula Bandha. Graças a esse exercício energético, a mulher sentirá que as reações vão além do ânus, chegam ao períneo, a vulva, ao clitóris, à vagina e até mesmo ao útero. Isso é normal, porque os esfíncteres da entrada da vagina e os do ânus formam como que dois anéis de um oito: contrair um deles é também interferir no outro.

O papel dos músculos da vagina é o da constrição, como em todos os órgãos ocos. Durante o orgasmo, a constrição ondulatória e rítmica que percorre a yoní provoca sensações voluptuosas que se propagam ao linga. Este mesmo exercício pode ser feito com um acessório( pode ser um vibrador, um aplicador de creme vaginal do tipo que acompanha estes medicamentos, ou outro objeto adaptado) que funciona como os halteres em preparo física, cujo peso fortalece os músculos. Para fortalece-lo é preciso: distendê-lo e oferecer resistência a ele. As contrações somadas à concentração mental, provocam um rico afluxo de sangue e de energia aos órgãos genitais: excente para o equilíbrio hormonal do sistema genital, do qual todo o organismo se beneficia.

O exercío feito com o "bambolê", brinquedo antigo das meninas, trabalha combatendo nódulos celulíticos nas coxas, combate a constipação intestinal e combate ainda a incontinência urinária, sendo mais um tipo de exercício indicado.

Autoria: Jenice Cypel
Fonte: http://www.maosdeluz.com.br

 
     

 
 

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