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20/11/2006
Tantra -
Outra visão da vida e da sexualidade
TANTRA – Definição: Filosofia comportamental
naturalista. Surgida em uma região que hoje é
conhecida como Índia há mais de 5000 anos, no berço de
um povo chamado drávida. Nesta sociedade primitiva não
guerreira, a mulher foi valorizada e divinizada, pois
ela era capaz de um milagre que o homem não
compreendia e não podia reproduzir: dar a vida a outro
ser humano, e ainda alimentá-lo em seu seio. Isto
define as três características principais do Tantra:
- a primeira é sua qualidade matriarcal: dá a luz pelo
seu ventre e alimenta com o seu seio,
- a segunda é a qualidade sensorial, e como
conseqüência,
- a terceira qualidade desrepressora.
Outras qualidades do Tantra: ser amoral e sugerir um
prazer conceitual.
A MULHER, CAMPEÃ ERÓTICA
Por que as filhas de Eva, nossas companheiras, se
pretendem mulheres, e não fêmeas, enquanto o homem
fica muito orgulhoso de ser macho? Sem dúvida porque,
sexualmente, a mulher é uma exceção e, como tal, não é
comparável às fêmeas animais, enquanto o homem se
comporta, afora alguns detalhes, como todos os machos
do planeta.
Todas as fêmeas, sem exceção, tem períodos de cio bem
marcantes, inclusive as primatas. É algo único na
natureza que a mulher ignore o frenesi do cio. O estro
na mulher, sinal de ovulação, quase desapareceu.
Tomando como exemplo uma fêmea primata, a ovulação a
deixa excitada por uma dezena de dias, nos quais ela
copula com diversos machos, dando mostras de um
intenso prazer. A conseqüência inevitável desta
maratona, cuja única finalidade é a procriação, é a
gravidez. A partir de então, nada de sexo antes de
dois ou três anos se passarem, o que reduz a sua vida
sexual a alguns interlúdios semanais durante toda a
sua vida.
A mulher é a campeã do sexo. Pode ser sempre excitada,
fisicamente, ela pode fazer amor todos os dias,
durante toda a sua vida adulta, mesmo quando está
grávida. Sua vida sexual recomeça alguns dias depois
do parto. Nenhuma fêmea, de espécie alguma, copula
neste ritmo.
Na natureza, a mulher é o único caso de dissociação
hormonal quase total entre eros e a procriação:
enquanto a reprodução se realiza nos ovários, que
secretam os hormônios femininos, são as supra-renais
que destilam o pouco hormônio masculino necessário
para excitar o centro do desejo, em algum lugar do
cérebro feminino.
O processo do orgasmo se diferencia no homem e na
mulher: ele tem 3 a 4 contrações maiores seguidas de
outras de menor intensidade e todas na região genital.
Depois, ele se desinteressa pelo sexo e o sangue deixa
a área. Ela tem 5 a 8 contrações principais seguidas
de 9 a 15 secundárias, que irradiam por toda a bacia.
Longe de estar terminado, para ela o sexo recém
começou. Ao contrário de homem, não há
descongestionamento dos órgãos genitais, podendo
viver, quase que imediatamente, novos picos de prazer.
De fato, quanto mais orgasmos uma mulher tem, mais
orgasmos ela pode ter, e mais eles se intensificam.
Somente o controle ejaculatório restabelece o
equilíbrio. Assim sendo, como em tudo o mais, é normal
educarmos nossa sexualidade específica, tão diferente
da pulsão animal bruta. A intensidade sexual máxima
possibilitada pela fisiologia é desejada, visto que
está inscrita em nossos genes, e legítima, desde que
sem drogas nem artifícios contra a natureza.
Nossa sexualidade é influenciada ainda de outra forma
pela bipedia, que deixa o sexo visível. A posição da
bacia favorece o amor face-a-face, prerrogativa
humana, que permite trocas bem mais pessoais e
intensas. O Tantra a evita, a princípio, porque o
controle ejaculatório está muito associado à posição
usual. O descondicionamento é facilitado com a adoção
de outra posição, mas não há exclusão dela.
O RITUAL TÂNTRICO
A libido cósmica é o dinamismo fundamental da criação:
o universo nasce do desejo, como todo o ser vivo.
Desejo e gozo acompanham todo o ato criativo.
As visões tântricas e científicas, longe de se
excluírem, se completam. O homem moderno criou um
abismo entre seu universo tecnológico artificial e a
natureza, entre suas abstrações intelectuais e a
vivência real. Sob o pretexto de desmistificar o
intelecto também dessacralizamos. Tudo fica muito
prático quando nada mais é sagrado, nem mesmo a vida:
nada mais impede de pilhar recursos naturais e
pessoas, em todos os níveis.
Para o Tantra, toda mulher, por mais comum que seja,
encarna a Deusa, é a Deusa, a Mulher-Absoluta, a Mãe
Cósmica. Perceber concretamente o aspecto divino de
cada mulher é uma condição prévia para o maithuna, e o
ritual tântrico que precede essa união sexual sagrada
se destina a levar a perceber essa realidade.
O ritual tântrico propõe um caminho chamado Caminho do
Vale, que é o mais fácil, pouco movimentado e baseado
no relaxamento físico e mental. Ele nos abre para um
mundo de sensações e experiências desconhecido, gera
uma plenitude prolongada e a integração total entre
dois seres.
O ato sexual ritualizado é uma experiência divergente.
No homem comum o ato sexual é uma experiência
convergente no tempo, a aceleração dos movimentos e o
breve momento de prazer da ejaculação, e convergente
no espaço, pois sua vivência é investida numa zona
mais reduzida, a genital. Para o tântrico o maithuna é
uma experiência divergente, do tipo feminina. De fato,
na mulher, a vivência sexual, longe de se limitar à
vagina e ao pênis que ela encerra, ultrapassa
progressivamente a esfera genital, se difunde por todo
o corpo e quando vem o orgasmo, ele envolve cada fibra
do seu corpo, primeiro a sua carne e depois todo o seu
ser-espaço. O êxtase tende a se intensificar, a se
prolongar- no tempo. Essa experiência difusa é também
a do tântrico, que não copula com uma vagina, mas se
une a um ser total, à mulher física, psíquica e
cósmica. O homem participa do seu desejo e da sua
emoção erótica, percebendo assim o ser secreto da
mulher, sem procurar se apropriar do seu corpo e de
seu sexo.
O Caminho do Vale implica em imobilidade relativa, com
movimentos pouco amplos e controlados para ambos,
sendo que apenas um é ativo de cada vez, e sendo a
mulher mais ativa. Nas fases de imobilidade a mulher
pode usar a "linguagem secreta", os movimentos
conscientes e controlados de sua vagina.
No maithuna, união tântrica, o homem evita tudo o que
possa provocar a ejaculação. A mulher é ativa e dá o
tom. É indiferente se a ereção se mantém ou não
durante todo o ato, basta poderem ficar unidos. As
posições devem ser escolhidas de acordo com os
seguintes critérios: conforto, para que a permanência
possa ser longa, permitir relaxamento físico e mental,
favorecer as trocas energéticas (prânicas) e facilitar
o controle seminal. A posição predileta (condicionada)
também é desaconselhada.
O MULA BANDHA
A prática básica é o mula bandha: contração dos
esfincteres de ânus e da uretra. Como os músculos do
ânus (esfincteres externo e interno do ânus) são
solidários, graças ao mula bandha, durante as
contrações, percebemos que elas vão além da região
anal e que se propagam a todos os músculos do pênis. O
exercício pode ser praticado em qualquer momento,
lugar e posição. No começo, assim como para a mulher,
todo o complexo muscular reage em bloco. Depois, com a
concentração e a prática perseverante, consegue-se –
objetivo importante – dissociar os músculos do linga
dos músculos do ânus e do reto. Isolar e contrair e
depois relaxar à vontade. Aqui a prática de Shiva
difere da Shaktí que não tem de inibir a ejaculação:
ela se limita a desenvolver e controlar a sua
musculatura vaginal. Um dos procedimentos para inibir
a ejaculação é relaxar imediatamente esses músculos
assim que se percebe a aproximação do ponto limite.
Outro exercício de controle para o homem é tomar
consciência dos músculos da bolsa escrotal e exercitar
contrair e relaxar, levatando e baixando as bolsas.
Nos instantes antes da ejaculação elas são levantadas,
ficando mais próximas do linga, assim como um gatilho
armado, aprender a desarmar é o objetivo.
Os testículos se conservam melhor em temperatura mais
fria que o corpo (3 graus centígrados abaixo da
temperatura corporal) razão pela qual estão fora do
corpo. Os homens, mais do que as mulheres, é que
deveriam usar saias! Roupas apertadas nunca. O
exercício mínimo cotidiano é a ducha escrotal, tão
fria quanto for possível, precedida com uma fricção de
luva de crina. A ducha de mão serve para isso e não
hesite em colocar pressão na água. O banho de assento
também é muito eficaz. Viva o frio que estimula a
produção hormonal das gônodas, cujo papel é
fundamental para a saúde e a juvenilidade do corpo.
Outro exercício consiste em urinar com intervalos de
dois segundos: soltar-reter-soltar-reter e nos
períodos de retenção, fazer um enérgico mula bandha.
Esta prática regular ajuda o controle ejaculatório.
Para afastar-se da zona limite, evitando assim a
ejaculação, deve-se contrair ao máximo os músculos com
o mula bandha e depois relaxar ao máximo.
Se o Shiva observar seu próprio comportamento reflexo
à aproximação da ejaculação, ele perceberá, além da
alteração do ritmo e da amplitude da respiratório, uma
forte tensão nos músculos das nádegas, do ventre, do
baixo dorso e do pênis. Se se deixar levar, como de
hábito, vem a ejaculação, do qual todos os músculos
participam. Então, para retardá-la ou impedi-la, é
preciso, com a aproximação do ponto limite, controlar
a respiração e concentrar-se em todos os músculos e
relaxá-los. A respiração consciente, lenta e profunda,
com inspirações lentas, relaxando-se a parede
abdominal e as nádegas, são extremamente eficazes.
As mulheres devem exercitar seus músculos vaginais
para que sejam flexíveis, fortes e descontraídos. O
nome sânscrito desta técnica é Sahajolí, e se baseia
no Mula Bandha. Graças a esse exercício energético, a
mulher sentirá que as reações vão além do ânus, chegam
ao períneo, a vulva, ao clitóris, à vagina e até mesmo
ao útero. Isso é normal, porque os esfíncteres da
entrada da vagina e os do ânus formam como que dois
anéis de um oito: contrair um deles é também
interferir no outro.
O papel dos músculos da vagina é o da constrição, como
em todos os órgãos ocos. Durante o orgasmo, a
constrição ondulatória e rítmica que percorre a yoní
provoca sensações voluptuosas que se propagam ao linga.
Este mesmo exercício pode ser feito com um acessório(
pode ser um vibrador, um aplicador de creme vaginal do
tipo que acompanha estes medicamentos, ou outro objeto
adaptado) que funciona como os halteres em preparo
física, cujo peso fortalece os músculos. Para
fortalece-lo é preciso: distendê-lo e oferecer
resistência a ele. As contrações somadas à
concentração mental, provocam um rico afluxo de sangue
e de energia aos órgãos genitais: excente para o
equilíbrio hormonal do sistema genital, do qual todo o
organismo se beneficia.
O exercío feito com o "bambolê", brinquedo antigo das
meninas, trabalha combatendo nódulos celulíticos nas
coxas, combate a constipação intestinal e combate
ainda a incontinência urinária, sendo mais um tipo de
exercício indicado.
O CORPO, UNIVERSO DESCONHECIDO
Para o Tantra o corpo é mais do que um maravilhoso
instrumento ou admirável mecânica biológica: ele é
divino.
Para compreender o Tantra é preciso realizar que:
- o corpo real é um universo de extraordinária
complexidade, cuja vida secreta é totalmente
desconhecida;
- que o corpo vivenciado é uma simples imagem, um
esquema, uma construção mental, único aspecto que
conhecemos;
- corpo é produzido e animado por uma inteligência
criadora, a mesma que suscita e preserva o universo,
da mais ínfima partícula subatômica à mais gigantesca
das inúmeras galáxias;
- corpo abriga, em suas profundidades ocultas,
potencialidades insuspeitas, energias extraordinárias,
cuja maioria permanece latente no homem comum, mas que
a prática tântrica desperta.
Na vida prática não fazemos distinção entre
objeto-real e objeto-imagem, mas quando nos referimos
a nosso próprio corpo, é diferente: eu o sinto; logo,
ele sou "eu", não? É isso o que se costuma pensar,
pois é natural que, de certa forma, se subtraia o
próprio corpo do mundo exterior: de um lado há minha
mente e o "eu", associados ao corpo, e, de outro,
"fora", há todo o resto, a multidão de seres e coisas.
Assim, artificialmente, isolo meu corpo do resto do
mundo, enquanto ele é um agregado de átomos tão
materiais e banais quanto os de todos os objetos do
mundo exterior com o qual estou em contínua relação de
troca: diariamente absorvo moléculas de ar, de
alimento e rejeito outro tanto. Meu corpo é um
edifício que mantém sua forma enquanto seus tijolos
são trocados incessantemente. Na realidade, meu corpo,
embora material, é um lugar privilegiado do espaço
onde "eu" estruturo matéria, onde construo esse corpo
humano. "Eu" entre aspas significa que não é
meu eu pequeno, mas sim a Inteligência Superior do meu
corpo que o suscita e o mantém.
Uma das finalidades do Tantra consiste em estabelecer
uma relação consciente e confiante entre o eu empírico
e a Inteligência Superior do corpo. Para me adaptar
melhor a essa sabedoria suprema do corpo-real, devo
desenvolver meu corpo-vivenciado, enriquecer meu
esquema corporal. Eu manipulo meu corpo-real através
do meu corpo-imagem e vice-versa. Para isto é preciso
que observemos nosso corpo, interiorizando-nos para
estar a escuta do corpo, colher o máximo de sensações
para se tornar cada vez mais conscientes delas.
A primeira etapa do ritual tântrico consiste em
meditar sobre a "divindade" corporal do (ou da)
parceiro (a) e a sua própria. Quando os sexos se unem,
essa relação é vivida como um acontecimento
prodigioso, sagrado, envolvendo o conjunto das duas
repúblicas celulares constituídas de bilhões de
indivíduos.
Mas fora, verdadeiramente "fora" o que é que existe?
Vejamos, inicialmente, o que é que não existe. Fora
não há luz, nem cores, nem sons, nem odores, nem calor
e nem frio. É claro que fora há fótons, grãos de luz
guiados por ondas; mas a claridade, as cores, são
fenômenos interiores, mentais. Fora o ar vibra, mas os
sons nascem e existem apenas na mente. Fora há
substâncias odoríferas, mas o perfume é mental. É
verdade que a idéia de um mundo exterior, apesar de
absolutamente real, seja desprovido de cores, seja
silencioso, sem odores, desconcerta a princípio. É
estranho pensar que, fora, não reina sequer a
escuridão, mas a ausência de luz, apenas isso. Quando
realizamos que o menor objeto-real exterior é de uma
excepcional complexidade, que ele é um poderoso campo
de força, a visão de mundo e a relação com ele
balançam de imediato, as fronteiras entre os seres e
os objetos se dissolvem e eles se tornam nuvens de
energia, campos de força. Meu corpo também, por detrás
de uma aparente imutabilidade relativa, abriga um
processo, um evento considerável. Como parcela do
cosmo em movimento, ele muda a todo instante. Sua
essência é um dinamismo inteligente que a tudo se
vincula. Sob este prisma, o ato sexual é vivido de
modo totalmente diferente do modo comum, profano. No
Tantra, não é o Senhor que "faz" amor - mais ou menos
bem - com a Senhora; são duas repúblicas de células,
dois universos que se encontram. Gozar torna-se um
sub-produto não-essencial. Ao invés de estar centrado
em seu prazer egoísta, cada um se abre para o universo
corporal do outro e para o seu próprio. O orgasmo não
é negado, mas não tem importância real para ambos.
"Quando a experiência acontece em toda a sua
amplitude, explode num feixe de centelhas, as mais
longínquas das quais são as estrelas".
A MULHER, SEU CULTO E SEU MISTÉRIO
O culto que o Tantra devota à mulher ultrapassa tudo o
que reivindicam os movimentos de liberação feminina:
deusa-mãe, iniciadora, origem de toda a vida, fonte de
prazer, caminho para a transcendência.
A mensagem do tantra concerne tanto ao homem quanto à
mulher. Ela também deve mudar a sua atitude perante o
seu próprio mistério. O seu verdadeiro mistério é a
vida. A mulher faz a criança e não apenas a deixa
crescer dentro de si: a criação.
O mistério da mulher não se limita a seu sexo, mas
impregna todo o seu ser, inclusive e principalmente o
seu psiquismo, a mulher é intuitiva, sensitiva,
conhece o segredo da vida, da saúde, das plantas e das
flores.
A mulher-deusa-mãe está presente no regime matriarcal
(de mãe para filha). Quando o regime passa a ser
patriarcal (de pai para filho) surge a necessidade de
derrubar a mulher de sua posição natural. Existe um
ditado que diz "Quando um pai diz meu filho, isso é
fé; quando uma mãe diz meu filho, isso é
conhecimento". O homem deve apropriar-se da mulher e
de seu sexo, através de formas de cárcere físicos e
sociais, além de castigos. A civilização ocidental
destrói a mulher-deusa-mãe e a mulher que surge é
apenas uma aparência, uma imitação que é desposada por
um homem que casa, assim, com seu espelho - mais
bonito.
Embora no sistema patriarcal os biceps "dominem",
estudos demonstram que a estrutura orgânica e cerebral
fundamental nos mamíferos foi primeiro feminina e só
depois masculina. Quando o feto não recebe estímulos
hormonais ele sempre evoluirá para a forma feminina.
No início de desenvolvimento embrionário, as gônadas
masculinas e femininas são análogas e muito
semelhantes. É a injeção de uma quantidade do hormônio
andrógeno – ignoramos o que o comanda – que
desencadeia uma reação que culmina na formação de um
macho. Um ponto capital para o Tantra é que os
circuitos femininos não são desativados.
Nossa cultura atual inculca no homem que a virilidade
requer ausência de emoções. Ele é orientado para se
comportar de modo militar, para reprimir qualquer
emoção, para ignorar as mensagens do corpo. O Tantra
propõe valores femininos para homens e mulheres como
amor, afeto, relações humanas verdadeiras, contato com
a natureza e a vida. E as crianças. São também
femininos a música, a dança, a poesia e a literatura,
aquilo que nos contata o racional e o irracional.
A OUTRA VISÃO DO SEXO
No regime patriarcal, no ato sexual, o papel ativo
cabe ao homem. Séculos de dominação fazem com que a
mulher aceite esse papel passivo normalmente e se
acomode. O homem, fica satisfeito, ou mais
provavelmente, dá-se por satisfeito.
O Tantra, em seu ritual, não é sexo banal, mas o
adepto tântrico deve poder satisfazer o outro, mesmo
em um enlace normal. Aliás, a união tântrica só é
possível entre parceiros capazes de relações sexuais
comuns desenvolvidas.
No sumário dos tratados sexuais figura o inevitável
capítulo sobre o "prelúdio" com suas técnicas mais ou
menos requintadas. No Tantra, o verdadeiro prelúdio
consiste em criar uma relação íntima, psíquica e
física, em estabelecer uma harmonia profunda. Para
isto cada um se infunde da personalidade do outro, da
sua presença enquanto ser total e se infunde do seu
sexo – que não é sinônimo de órgãos genitais. Em
geral, essa abertura para o outro basta, sem o menor
gesto erótico, para criar um contato sutil.
A nossa sexualidade se manifesta de forma dupla:
possuímos um pólo indivíduo, que é a sede da
individualidade e do eu consciente, e um pólo espécie,
localizado em nossos órgãos genitais, responsável pela
procriação.
O Tantra, através do maithuna, ato sexual ritualizado,
utiliza as duas, com uma nítida preferência pela que
não é puramente animal, reprodutiva.
A fisiologia confirma a tese tântrica: há um centro da
sexualidade cerebral, o pólo indivíduo é localizável e
localizado! É também o da felicidade e do êxtase. Esta
zona é chamada de "paraíso". O paraíso é estimulado
pelo hormônio sexual produzido no pólo espécie (não há
resposta no paraíso em animais castrados).
No maithuna tântrico, a poderosa e prolongada
excitação no pólo espécie estimula as gônodas e
intensifica a produção de hormônios masculinos
indispensáveis à ativação máxima do paraíso. O Tantra
quer que seus adeptos alcancem o êxtase total, aquele
que funde a experiência orgástica do pólo espécie,
nossa grande central energética, e o êxtase cerebral
do pólo indivíduo, cada qual alimentando e estimulando
o outro. Por isso, o Tantra excita a zona genital de
forma consciente e controlada. Na linguagem metafórica
do Tantra são as núpcias secretas de Shaktí – a
energia e de Shiva – a consciência.
O DOMÍNIO SEXUAL
Para a grande maioria dos homens, o orgasmo e a
ajaculação são a mesma coisa, enquanto que o Tantra
sabe que é justamente a ejaculação que afasta o homem
do orgasmo. O Tantra promete ao homem uma potência
sexual ilimitada, ereções prolongadas e diversas
relações sexuais por dia, sem nunca deixar de desejar
a sua Shaktí. Esse programa o seduz... tanto quanto à
sua parceira, mas ao tomar conhecimento do que vai lhe
custar – renunciar à ejaculação – o sorriso desaparece
... O enredo clássico nos parece tão natural... o
impulso sexual se enraíza na irresistível pulsão da
espécie que quer sobreviver, portanto, procriar,
ejacular. Esse comportamento, implantado em nossos
genes, é reforçado pela educação.
A solução tântrica é de uma simplicidade genial:
prolongar a última faixa, a mais intensa e
interessante e, para isso inibir o espasmo. Para um
Shiva tântrico a arte suprema consiste em manter-se
indefinidamente no ponto limite: isso lhe dá acesso ao
"paraíso sexual cerebral" e ao verdadeiro orgasmo
masculino.
O que permite o afluxo de sangue que enrijece o pênis
é o relaxamento. Os impotentes e os supostamente
impotentes (a maioria) são no máximo ansiosos. Eles
devem relaxar e praticar respiração lenta e profunda.
Há duas condições necessárias, aparentemente
contraditórias, para a visão tântrica: ereção possante
e prolongada à vontade e por outro lado, evitar que
esta intensidade faça ejacular.
O jogo sexual depende de três grupos nervosos
distintos:
- um deles mantém o vínculo sensório-motor entre o
sexo e o cérebro;
- outro, o parassimpático, provoca e mantém a ereção;
enfim, o simpático, é o responsável pela ejaculação.
Sabendo que a ereção depende do jogo do
parassimpático, aquele que reduz o fôlego e os
batimentos cardíacos, dilata os vasos, etc,
constatou-se que a impotência e a ejaculação precoce
têm um ponto em comum: a superexcitação do simpático,
devida à ansiedade. Conclusão tântrica para corrigir a
impotência, é preciso acalmar o simpático e para
controlar a ereção e impedir a ejaculação, precoce ou
não, é preciso estimular o parassimpático. Como fazer
isso na prática:
- para acalmar o simpático: reduzir os batimentos
cardíacos, dilatando os vazos; usar movimentos
ritmados e harmoniosos.
- para ativar o parassimpático: controlar o fôlego,
ficar consciente, respirar lenta e profundamente,
movendo o abdômem. Esse regime respiratório se
estabelece desde o preludio e se mantém durante toda a
relação.
A prática de certos exercícios garantem ereções mais
vigorosas e longe de esgotar a energia física ou
psíquica, exalta-as. Objetivos: tomar consciência do
complexo muscular genital em seu conjunto,
fortalecê-lo e aprender a isolar e
contrair-descontrair separadamente estes músculos. Os
músculos genitais dos dois sexos são muito semelhantes
e até homólogos. Portanto, é normal e lógico
aconselhar mais ou menos os mesmos exercícios para
Shiva e
Shaktí.
O MULA BANDHA
A prática básica é o mula bandha: contração dos
esfincteres de ânus e da uretra. Como os músculos do
ânus (esfincteres externo e interno do ânus) são
solidários, graças ao mula bandha, durante as
contrações, percebemos que elas vão além da região
anal e que se propagam a todos os músculos do pênis. O
exercício pode ser praticado em qualquer momento,
lugar e posição. No começo, assim como para a mulher,
todo o complexo muscular reage em bloco. Depois, com a
concentração e a prática perseverante, consegue-se –
objetivo importante – dissociar os músculos do linga
dos músculos do ânus e do reto. Isolar e contrair e
depois relaxar à vontade. Aqui a prática de Shiva
difere da Shaktí que não tem de inibir a ejaculação:
ela se limita a desenvolver e controlar a sua
musculatura vaginal. Um dos procedimentos para inibir
a ejaculação é relaxar imediatamente esses músculos
assim que se percebe a aproximação do ponto limite.
Outro exercício de controle para o homem é tomar
consciência dos músculos da bolsa escrotal e exercitar
contrair e relaxar, levatando e baixando as bolsas.
Nos instantes antes da ejaculação elas são levantadas,
ficando mais próximas do linga, assim como um gatilho
armado, aprender a desarmar é o objetivo.
Os testículos se conservam melhor em temperatura mais
fria que o corpo (3 graus centígrados abaixo da
temperatura corporal) razão pela qual estão fora do
corpo. Os homens, mais do que as mulheres, é que
deveriam usar saias! Roupas apertadas nunca. O
exercício mínimo cotidiano é a ducha escrotal, tão
fria quanto for possível, precedida com uma fricção de
luva de crina. A ducha de mão serve para isso e não
hesite em colocar pressão na água. O banho de assento
também é muito eficaz. Viva o frio que estimula a
produção hormonal das gônodas, cujo papel é
fundamental para a saúde e a juvenilidade do corpo.
Outro exercício consiste em urinar com intervalos de
dois segundos: soltar-reter-soltar-reter e nos
períodos de retenção, fazer um enérgico mula bandha.
Esta prática regular ajuda o controle ejaculatório.
Para afastar-se da zona limite, evitando assim a
ejaculação, deve-se contrair ao máximo os músculos com
o mula bandha e depois relaxar ao máximo.
Se o Shiva observar seu próprio comportamento reflexo
à aproximação da ejaculação, ele perceberá, além da
alteração do ritmo e da amplitude da respiratório, uma
forte tensão nos músculos das nádegas, do ventre, do
baixo dorso e do pênis. Se se deixar levar, como de
hábito, vem a ejaculação, do qual todos os músculos
participam. Então, para retarda-la ou impedi-la, é
preciso, com a aproximação do ponto limite, controlar
a respiração e concentrar-se em todos os músculos e
relaxá-los. A respiração consciente, lenta e profunda,
com inspirações lentas, relaxando-se a parede
abdominal e as nádegas, são extremamente eficazes.
As mulheres devem exercitar seus músculos vaginais
para que sejam flexíveis, fortes e descontraídos. O
nome sânscrito desta técnica é Sahajolí, e se baseia
no Mula Bandha. Graças a esse exercício energético, a
mulher sentirá que as reações vão além do ânus, chegam
ao períneo, a vulva, ao clitóris, à vagina e até mesmo
ao útero. Isso é normal, porque os esfíncteres da
entrada da vagina e os do ânus formam como que dois
anéis de um oito: contrair um deles é também
interferir no outro.
O papel dos músculos da vagina é o da constrição, como
em todos os órgãos ocos. Durante o orgasmo, a
constrição ondulatória e rítmica que percorre a yoní
provoca sensações voluptuosas que se propagam ao linga.
Este mesmo exercício pode ser feito com um acessório(
pode ser um vibrador, um aplicador de creme vaginal do
tipo que acompanha estes medicamentos, ou outro objeto
adaptado) que funciona como os halteres em preparo
física, cujo peso fortalece os músculos. Para
fortalece-lo é preciso: distendê-lo e oferecer
resistência a ele. As contrações somadas à
concentração mental, provocam um rico afluxo de sangue
e de energia aos órgãos genitais: excente para o
equilíbrio hormonal do sistema genital, do qual todo o
organismo se beneficia.
O exercío feito com o "bambolê", brinquedo antigo das
meninas, trabalha combatendo nódulos celulíticos nas
coxas, combate a constipação intestinal e combate
ainda a incontinência urinária, sendo mais um tipo de
exercício indicado.
Autoria: Jenice Cypel
Fonte:
http://www.maosdeluz.com.br |
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