25/02/2007
Sexualidade Sadia
Já há
muitos anos os assuntos sobre sexo são sempre os mesmos,
e as queixas também: ejaculação precoce, perda de
ereção, impotência, frigidez etc.
As pessoas
buscam no sexo o que não existe em suas próprias vidas.
O prazer do compartilhar com o outro, o êxtase total, e
a harmonia parecem não existir.
Na prática,
sabe-se muito pouco sobre sexo. Alguns mal conhecem o
próprio corpo, outros tem muito medo de relaxar. Em
muitos momentos, a rigidez parece tomar conta de cada
centímetro de nossos músculos e então, ao tocar o outro,
o nível de presença e magnitude perde toda a força.
A relação
acaba não passando de uma simples descarga de tensão
nervosa e pouco se sente, pois é rápido demais. O
orgasmo em si dura poucos segundos. E para muitas
mulheres, nem chega a durar alguns segundos, pois o
envolvimento e o relaxamento não foram suficientemente
alcançados para que brotasse o prazer.
Daí passa a
surgir a insatisfação com o parceiro. Projetamos a nossa
impaciência e falta de envolvimento com a pessoa que
estamos nos relacionando, onde muitas vezes isso acaba
servindo de estímulo para você ir procurar mais e mais
parceiros. O que não muda muito, pois em poucos meses a
rotina se torna a mesma e toda a empolgação do inicio
deixa de existir.
Viemos ao
mundo através do sexo. Não sabemos ao certo se existiu
prazer no momento em que fomos gerados. Talvez, o papai
estivesse feliz, se sentindo bem ou não, e a mamãe
estivesse tensa sem sentir nada ou sentindo muito
prazer. Alguns não sabem ao certo quem são os próprios
pais.
Quanto mais
insatisfeito com o sexo, mais insatisfeito consigo mesmo
e vice-versa. Saiba que o comprometimento é seu também.
Não temos
como ter uma boa relação sexual com alguém se não
aprendermos a sentir prazer sozinho.
Quando
fomos gerados e quando éramos ainda bebezinho, nosso
corpo era pura sensação. Bastava um único estímulo e
sentíamos de forma intensa a vida. No banho, a água
quentinha caindo sobre o corpinho macio e delicado, o
contato com a mamãe na amamentação, puxa! Que maravilha.
Ali também não havia pensamentos, só o momento presente.
Toda a atenção estava voltada para a ação.
Agora
voltemos para você durante o sexo. Muitos pensamentos?
Onde está sua atenção?
Quando
focamos a nossa atenção para além de nós mesmos,
perdemos um quantum significativo de energia.
A relação a
dois é: você está em você, sentindo o seu corpo,
trazendo a presença em cada parte do seu Ser. Dessa
forma, o corpo naturalmente irá se aquecer e uma intensa
energia vital percorrerá os seus canais (meridianos ou
nadis). Os seus sentidos ficarão apurados, seus
olhos se abrirão atentos para o seu parceiro(a) que
estará diante de você e, no qual ele ou ela será um
veículo físico e divino, do auto-sentir-se e sentir ao
outro. A partir de então, vocês compartilharão da
totalidade entre as duas polaridades: o feminino e o
masculino (yin e yang), ou até mesmo entre
casais homossexuais onde sempre um acaba assumindo uma
postura masculina ou feminina.
A
Energia Sexual
Falar sobre
essa energia é falar da criação, da vida, do perfeito e
completo. Quanto mais sexual é o individuo mais criativo
e vital. Porém, muitas pessoas confundem ser sexual com
ser maníaco por sexo ou pornografia. Não, não é bem
assim. Ser sexual é trazer a manifestação da criação, da
alegria e da pureza para a vida. Ser e poder caminhar
descalço, sem preocupaçães nem impregnações dos traumas
do passado. É a presença do encaixe através do corpo
físico.
Impregnações e distúrbios sexuais
O que seria
uma impregnação?
A
impregnação é algo que está registrado nas nossas
células através de uma experiência própria do passado ou
uma herança ancestral. Essas impregnaçães são criadas
através de fatos já ocorridos e estão registradas na
memória e no corpo. Talvez, você nem mesmo se lembre dos
acontecimentos, ou recorde apenas de algumas imagens ou
rápidos "flashes", mas no decorrer da vida ocorreram
vários registros no qual durante a ação, as emoções
foram estimuladas podendo ser tanto positivas como
negativas.
Algumas
pessoas quando ainda muito pequenas, seja na infância ou
mesmo na adolescência, por exemplo, podem ter sido
assediadas ou até mesmo abusadas sexualmente por
parentes ou pessoas desconhecidas. Numa situação como
essa, um indivíduo com intenções perversas e
aproveitadora deixou ali sua intenção e marca de
crueldade e desrespeito num ser indefeso.
Uma criança
ou até mesmo um adulto sente no próprio corpo a tristeza
de ser invadido. No momento em que sentimos a invasão, o
corpo geralmente se contrai em defesa própria e, a
partir desta contração, retemos a informação das
lembranças desagradáveis. Portanto, a partir disso já
está evidente uma impregnação.
Não é
preciso que haja contatos físicos para que se crie uma
impregnação. Às vezes, uma simples discussão no qual
somos agredidos por palavras, ou ao se deparar com cenas
chocantes, e até mesmo o convívio dentro de um ambiente
conturbado podem ser o suficiente para criar uma
impregnação.
As pessoas
que contém impregnações na região sexual dificilmente se
sentem totalmente à vontade com o parceiro ou livres
para falarem sobre sexo. São geralmente pessoas tímidas,
preconceituosas e sentem muito medo de ousarem ou
mostrar suas emoções abertamente.
Quantas
pessoas você conhece que falam de sexo abertamente? Por
aí, você pode ter uma base de como podemos estar
impregnados sexualmente.
Às vezes
essas impregnações são passadas através dos nossos
ancestrais (pais, avós, tios). Sabemos que há alguns
anos atrás, as mulheres mal conheciam o seu namorado e
já eram praticamente forçadas a se casarem mantendo a
virgindade até o momento do casamento. A mulher ou o
homem continuavam unidos, mesmo não havendo uma
afinidade entre o casal, pois sentiam pressão da
sociedade e do próprio medo. Até hoje, sabemos que
muitos casais ainda mantém esses padrões.

Graças às
gerações mais ousadas, muitas vezes chamadas de
rebeldes, hoje somos um pouco mais livres para escolher.
Entretanto, ainda falta consciência e informação.
Homens e
mulheres que por medo também não assumem o
homossexualismo constituem uma família vivendo com uma
mulher ou com um homem, sendo que no fundo a sua
sexualidade está reprimida, pois a sua vontade é de
expressá-la com outro companheiro(a) de uma outra forma,
que foge dos padrões sociais.
Os valores
sociais, muitas vezes criados a partir das próprias
impregnações daqueles que a moldaram, foram castrando a
espontaneidade do Ser humano e gerando pessoas
robotizadas e preconceituosas no decorrer de todos esses
anos. Dessa forma, é muito difícil o indivíduo ser
sexual.
Os
distúrbios sexuais são dos mais diversos. Não interessa
o que acontece nas suas relações sexuais, mas sim o
quanto você está satisfeito e como você está
desenvolvendo a sua sexualidade.
O princípio
é: satisfeito ou não satisfeito.
O que para
um é adequado, muitas vezes não o é para o outro.
Muitas
pessoas se queixam por não sentirem vontade de fazer
sexo. Mas, quem anda se queixando: você que não quer
fazer sexo ou o seu companheiro(a) que quer e você não?
Ou talvez
você tenha muito desejo sexual e não encontra nenhum
companheiro(a) que o(a) acompanhe.
O princípio
é equilibrar e desenvolver a sexualidade. Você pode
fazer sexo todos os dias, a cada semana ou a cada mês e
ser feliz com isso. Não há problema algum.
Agora,
quando você percebe que existe algo de errado com você,
com o seu corpo, com suas emoções ou quando você faz
sexo, aí algo pode ser melhorado.
A ciência
tem sempre o costume de colocar nome em tudo e taxar
tudo como síndrome, como se todas as pessoas fossem
iguais. Não é bem assim. Em um nível, cada um de nós é
diferente do outro, pois somos únicos, com experiências
próprias e portanto não podemos apenas rotular: você tem
isso e pronto.
Portanto,
tome muito cuidado em dizer que você tem um distúrbio
sexual. Às vezes, é apenas uma impregnação que você
ainda não compreende.
O
que seria desenvolver a sexualidade?
Desenvolver
a sexualidade é ser você a partir da criação. Não
sabemos ao certo a quanto tempo existimos, mas podemos
sim lembrarmos de quem somos na Essência.
Sabemos que
boa parte do sentir prazer na vida está na região
sexual. As escolas indianas falam do chacra sexual (svadhishthana)
que localiza-se abaixo do umbigo e na área acima dos
órgãos genitais.
Esse chacra
controla a parte inferior do abdômen e os rins. Um
chacra sexual mal desenvolvido ou desequilibrado implica
em pessoas que tem problemas nos rins, mal funcionamento
dos órgãos sexuais e no aparelho reprodutor em geral.
O chacra
sexual está ligado também às emoções, principalmente aos
medos. As pessoas que apresentam muito medo também tem
acometimentos neste chacra. Podemos caracterizá-lo como
o chacra do movimento, da expansão e da intuição
emotiva.
Ao
trabalhar essa região temos condições de pulsar nossa
energia vital a fim de abastecer as demais partes do
corpo como um todo, pois uma parte reflete na outra.
Autora:
Elaine Lilli Fong
Instituto União
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