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20/03/2007
As Disfunções Sexuais e
os Distúrbios Emocionais
No caso em que um homem experimenta um momento de
impotência sexual, por exemplo, isso não representa
necessariamente uma disfunção sexual. Mas isso não
significa que ele não tenha uma preocupação excessiva
com o sexo. É preciso examinar o significado da
expressão “disfunção sexual”, assim como os diversos
fatores que estão relacionados, principalmente os de
ordem cultural e emocional.
A expressão “disfunção sexual” só pode ser aplicada em
situações nas quais os aspectos fisiológicos da reação
sexual estão alterados. Portanto, os distúrbios das
funções — como impotência, ejaculação prematura e
ejaculação retardada, vaginismo e anorgasmia
(incapacidade de atingir o orgasmo) — são casos em que
os aspectos fisiológicos da reação sexual não se
alteram.
Assim, comportamentos sexuais específicos — como o
homossexualismo, por exemplo — não são considerados
disfunções. O homossexual não sofre de uma “doença
sexual” — apenas tem um comportamento sexual
caracterizado pelo interesse erótico em relação a
pessoas do mesmo sexo.
Tanto para o homem como para a mulher, a capacidade de
manter relações sexuais satisfatórias depende de
múltiplos fatores: de ordem física, cultural e
emocional. A primeira condição básica para uma relação
satisfatória é a integridade dos órgãos genitais e das
estruturas que auxiliam seu funcionamento. Isto é, os
sistemas circulatório, neurológico e endócrino (produtor
de hormônios) precisam funcionar.
No entanto, mesmo numa pessoa com excelente saúde
física, as reações sexuais são altamente vulneráveis aos
efeitos da tensão emocional. Assim como estão sujeitas a
alterações por situações culturais (quando, por exemplo,
uma relação é proibida socialmente). A ansiedade quanto
ao desempenho sexual (com origem social ou psíquica) é
geralmente uma das causas imediatas das disfunções
sexuais.
As ansiedades imediatas, que atuam no momento em que o
indivíduo se propõe a ter uma relação sexual, constituem
a via final comum pela qual causas mais profundas podem
exercer seu efeito prejudicial. Por exemplo, uma neurose
profundamente estruturada, constantes desavenças
conjugais, ou um sentimento de culpa ligado ao sexo,
podem produzir estados emocionais que resultem em
disfunção sexual.
O conceito de causas imediatas e profundas não se aplica
unicamente à terapia sexual, mas constitui um princípio
válido em medicina psicossomática (que estuda as
relações entre os processos orgânicos e emocionais,
especialmente a maneira como os conflitos psíquicos
alteram o funcionamento dos órgãos).
Como as disfunções sexuais podem ser consideradas formas
de distúrbios psicossomáticos, adota-se uma estratégia
psiquiátrica em seu tratamento. Inicialmente removem-se
os obstáculos imediatos ao desempenho sexual. As
atitudes negativas da pessoa são corrigidas, pois estas
produzem ansiedades e defesas que prejudicam o
envolvimento erótico.
Se houver necessidade, mais tarde ou ao mesmo tempo,
modificam-se as causas mais profundas da dificuldade
sexual. Não se sabe ainda por que, em determinadas
pessoas, as estruturas que compõem seu sistema sexual
são particularmente vulneráveis à influência das tensões
emocionais. Isso ocorre a ponto de causar uma disfunção
sexual.
Pode-se supor que algumas disfunções sexuais seriam
análogas a certos distúrbios funcionais, como prisão de
ventre, enxaqueca ou hipertensão arterial. Em caso da
pessoa suspeitar de estar sofrendo alguma disfunção
sexual, o melhor é procurar rapidamente um especialista.
Tanto devido a fatores fisiológicos, como a emocionais,
quando diagnosticados rapidamente, antecipam a cura da
disfunção.
Por Jonatas Dornelles
Antropólogo |
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