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28/05/2007
Sexo
não deve exigir
compromisso
No tempo de nossos avós,
quando a mulher perdia o marido estava condenada ao luto
eterno. Mesmo que não fosse viúva, vestia-se de preto e
passava o resto da vida a viver apenas por procuração,
dedicando-se aos filhos e, depois, aos netos. Gerações e
gerações foram condenadas desta forma a uma vida
insípida e as poucas que ousavam desafiar esse padrão
equivocado de comportamento eram rejeitadas socialmente,
apelidadas de viúvas alegres ou de coisa mais grosseira.
Hoje isto mudou: poucas são
as mulheres dispostas a renunciar à própria sexualidade
e aos próprios sentimentos. As viúvas estão aprendendo a
deixar os mortos descansando em paz e a se ocuparem do
que cabe aos vivos – viver e ser feliz. Um verdadeiro
amor é imortal e permanece vivo numa dimensão superior
da memória, onde guardamos nossos tesouros mais
queridos. Mas a vida não admite estagnação nem inércia e
pede de todos nós um compromisso permanente com a busca
da felicidade.
Porém, as mulheres de uma certa idade quando perdem o
marido, seja por morte ou por separação, se vêm
confrontadas com uma situação nova, com a qual têm, em
geral, muita dificuldade para lidar. Estão sozinhas,
convivendo com um novo universo de relacionamentos
amorosos para o qual não estão preparadas. O assédio
masculino a que estavam habituadas na juventude
desapareceu. A partir dos quarenta anos, ou até mesmo
antes, existem muito mais mulheres do que homens, com
interesse em cultivar uma relação amorosa. Os poucos
homens que aparecem, sabendo da situação favorável em
que se encontram no mercado amoroso, mostram-se
exigentes, principalmente no que diz respeito a algo que
é um ponto extremamente sensível para a maioria das
mulheres viúvas recém- separadas: o relacionamento
sexual.
A gatinha cortejada a cujos pés arrastavam-se príncipes
encantados mendigando carinhos se tornou uma senhora que
é brutalmente convidada pelo seu eventual acompanhante a
exibir suas habilidades na cama. E ela não está
preparada para este novo mundo. Podemos ouvir suas
queixas: o romantismo acabou; os homens não prestam, são
cafajestes; são inseguros, sofreram e não têm coragem de
começar de novo, etc. Outra armadilha consiste no
sentimento de que é necessária uma presença masculina ao
lado para promover o bem-estar. Algumas mulheres chegam
a condicionar sua felicidade à existência de um namorado
firme ou até de um marido. Acreditando nisso acabam se
sentindo inferiorizadas ao iniciar um relacionamento
amoroso.
Torna-se necessário que a mulher aprenda a conviver com
os homens nesse novo ambiente. Ela precisa compreender
que sexualidade não pode mais ser um tabu aos cinqüenta
anos de idade, como era aos vinte. Além disso, os tempos
mudaram e a visão que nossa cultura tem hoje da vida
sexual evoluiu significativamente nos últimos quarenta
anos para uma atitude de maior aceitação da atividade
sexual independente de casamento. É preciso compreender
que o relacionamento sexual é uma forma de aproximação
de conhecimento entre duas pessoas e que não pode
implicar em um compromisso. Se chegar a haver
compromisso, ele estará alicerçado, entre outras coisas,
exatamente na qualidade do relacionamento sexual que o
casal atinge.
Essa nova forma de olhar a relação entre o homem e a
mulher não é fácil de ser incorporada. Todavia, para não
correr o risco de ficar permanentemente sozinha e
frustrada sem conseguir manter um relacionamento
satisfatório, é necessário que a mulher desenvolva uma
visão mais atual e lúcida de como construir sua relação
com os homens.
É interessante tomar como referência a forma de
relacionamento habitualmente desenvolvida pelos casais
jovens. Há muito menos restrições à sexualidade e uma
proposta de igualdade de direitos e deveres. As moças
não temem o sexo, não ficam esperando que os rapazes
paguem suas contas nem que as tratem como frágeis
bibelôs, embora consideração, respeito e educação – que
inclui abrir portas e oferecer o braço – ainda façam
parte de uma saudável expectativa.
O recado importante consiste na afirmação categórica de
que existe sexo saudável e de muito boa qualidade depois
da menopausa ou qualquer idade. Apenas é preciso que se
dê atenção às oportunidades.
Por
Luiz Alberto Py |
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